segunda-feira, 20 de abril de 2015

Jogo patológico implica alienação da vida pessoal e profissional



A ludomania é um transtorno psiquiátrico que veio a se tornar mais conhecido numa era em que o jogo é mais acessível e aceito em termos sociais.

O que é o vício em jogar e como tratar

O vício em jogar, também conhecido como jogo patológico ou ludomania, é um comportamento identificado pela comunidade médica que implica jogar de forma recorrente, mesmo que o indivíduo tenha a noção de que o comportamento em causa despoleta consequências negativas. Apesar de essa adição assumir proporções mais graves no caso do jogo a dinheiro, a verdade é que qualquer jogo pode desencadear esse vício.




Apesar de acima apelidarmos o jogo patológico de adição, atualmente existe algum debate ao nível da comunidade médica em torno da melhor forma de classificar o vício em jogar: será uma compulsão e obsessão ou uma adição? As opiniões dividem-se, contudo é unânime se considerar que um indivíduo dependente do jogo apresenta caraterísticas muito semelhantes às de um dependente de drogas. Também num outro aspecto a opinião médica geral converge: o fato de a ludomania ser mais frequente em pessoas que sofrem de outras patologias, nomeadamente, transtornos de ansiedade, transtorno bipolar, alcoolismo, depressão e dependência de drogas.

Esse transtorno identificado pela Organização Mundial de Saúde e que, de forma silenciosa, se apodera da vida do indivíduo a um ponto em que apenas o jogo importa, deve ser diagnosticado de acordo com alguns critérios específicos e, após diagnóstico positivo, ser tratado em concordância com deliberação médica para o caso específico em análise. O tratamento pode assumir a vertente não-medicamentosa/ psicossocial, recorrendo à psicoterapia, ou medicamentosa/ farmacológica com recurso a antagonistas de opióides, antidepressivos ou estabilizadores do humor.

Fundamental para superar esse transtorno psiquiátrico é o apoio da família e dos amigos, havendo também diversas instituições nacionais e internacionais que oferecem ajuda em português a viciados em jogo como é o caso de Gamblers Anonymous (disponível por telefone e presencialmente em Florianópolis, Rio de Janeiro, Santos, São Vicente e São Paulo) e de gamblingtherapy.org (disponibiliza uma linha de apoio ao vivo, fóruns, grupos online e aconselhamento confidencial via e-mail), organizações de prestígio com equipes qualificadas prontas a ajudar.

Apesar dos perigos dos jogos de casino online e jogos de casino reais, sempre acessíveis e disponíveis online ou fisicamente, a verdade é que através de simples exercícios de relaxamento é possível controlar o impulso de jogar em excesso. Assim, num local tranquilo, inspirar e expirar lenta e profundamente, visualizar um local relaxante e seguro que possibilite o distanciamento de eventuais pensamentos negativos e por fim, adotar a relaxação muscular progressiva, uma técnica da autoria de Edmund Jacobson que consiste em tensões e relaxamentos musculares sistemáticos e conscientes de certos grupos musculares para se alcançar o relaxamento mental, contribui para o jogador manter seu equilíbrio emocional.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Pessoas Inteligentes se Masturbam Mais, Revela Estudo



Dados científicos, às vezes, nos oferecem uma verdade relativa, já que as pessoas tendem a mentir em algumas situações. Não revelamos toda a verdade, especialmente sobre questões que nos incomodam ou que carregam um tabu cultural. Um dos mais óbvios é o sexo, onde "normal" é um conceito turvo. Mas, ocasionalmente, surge algum estudo científico para lançar alguma luz sobre como nos relacionamos sexualmente com o sexo oposto.




Uma recente pesquisa realizada nos EUA encontrou uma correlação curiosa entre duas variáveis: o nível de educação de uma pessoa e a frequência de masturbação, revelando que pessoas com conhecimentos de ensino superior tendem a se masturbar com mais freqüência.

Este estudo interessante e controverso foi realizado pela Escola Nacional de Saúde e Comportamento Sexual, organizada pela psicóloga especializada em conduta sexual Debby Herbenick. De acordo com Pere Estupinyà, em seu livro S = EX2, a pesquisa foi totalmente financiada por uma empresa conhecida de preservativos, e consistiu em uma amostragem total de 6.000 norte-americanos com idades entre 14 a 90 anos, sendo um dos estudos mais completos sobre a sexualidade dos seres humanos em sociedades modernas. Os dados e resultados dessa pesquisas têm recebido muita atenção.

Os resultados da investigação

A pesquisa revelou que 71,5% das mulheres entre 25 e 29 anos reconhece ter se masturbado durante o último ano. Um número mais modesto, 46,5%, são de mulheres entre 60 e 69 que afirmam ter feito nos últimos 365 dias. Se formos avançando na idade, como no caso de pessoas com mais de 70 anos, o estudo relatou que 33% desse grupo diz ter se masturbado no ano passado; um número bem alto quando se considera a crença popular de que o sexo não está presente na vida dos idosos.

Outras conclusões do estudo foram, por exemplo, a correlação entre o nível acadêmico do sujeito com a frequência com que se masturbam. Como indicado no título da matéria, parece que há uma tendência de que quanto maior o nível de escolaridade, mais frequentemente o indivíduo se masturba.

Além disso, a pesquisa também mostrou que 25% dos homens e apenas 5% das mulheres admitem ter consultado conteúdo pornográfico na Internet durante o último mês. Outro fato interessante, e que tem a ver com a proteção durante o sexo, é que 28% dos homens dizem que perderam a ereção quando se preparavam para colocar o preservativo em pelo menos um de seus últimos três encontros sexuais.

Fonte: KinseyInstitute e Psicologiaymente traduzido e adaptado por Psiconlinews

terça-feira, 14 de abril de 2015

´´Blind Devotion´´: Um Curta-metragem de 8 minutos sobre o amor verdadeiro






Um homem segue sua esposa todas as manhãs sem que ela saiba. Parece estranho, mas não é por ele não confiar nela; seu motivo é mais profundo. Este é um curta-metragem incrivelmente comovente, criado pelo Projeto Jubileu. O longa tem oito minutos, mas confie em nós, você não vai querer parar de assistir. Pode parecer um pouco confuso no início, mas quando você entender, não vai acreditar no que está assistindo... (Se não souber inglês, selecione para a legenda para o português)

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Morfopsicologia: O que Seus Traços Faciais Dizem Sobre a Sua Personalidade



A morfopsicologia é uma pseudociência que estuda o caráter, a personalidade, habilidades e atitudes das pessoas através da correlação e generalização de particularidades faciais.

Morfopsicologia: uma teoria facial da personalidade




A nível morfológico e de acordo com a teoria da morfopsicologia, o rosto humano pode ser dividido em três zonas diferentes, e a prevalência de uma ou outra área em comparação com as outras, pode ser um bom indicador do temperamento e da personalidade da pessoa. Assim como também pode nos dar boas pistas sobre o seu tipo de inteligência: cerebral, emocional ou instintivo.

  • Cerebral: a região mais pronunciada é a que compreende o crânio e a testa; incluindo também as sobrancelhas e os olhos. Esta área nos fala sobre o pensamento da pessoa.

  • Emocional: a área mais destacada é a que compreende as maçãs do rosto, nariz e bochechas. Normalmente são pessoas cujas emoções transbordam, e possuem habilidades relacionadas com o afeto e o cuidado com os outros.

  • Instintivo: a área morfológica dominante é o maxilar inferior, boca e queixo. São pessoas que tendem ter atitudes e comportamentos dominados por impulsos e instintos.

As áreas do rosto

Dilatação: O rosto de forma dilatada lembra uma uva: redondo, cheio. Por outro lado, um rosto pouco dilatado se parece com uma uva passa: com a pele mais recolhida em torno da estrutura óssea facial.

  • Os dilatados geralmente são mais abertos, comunicativos, dóceis e amigáveis, de acordo com os princípios da morfopsicologia. Procuram o contato físico com outras pessoas.

  • Os retraídos, no entanto, procuram segurança e proteção, se adaptam facilmente ao meio onde se encontram e não são muito sociáveis. Em vez disso, se caracterizam por serem solitários e cautelosos. Seu jeito de ser faz com que sejam percebidos como mal-humorados.

A moldura: Especialistas em morfopsicologia usam a moldura como sinônimo para a construção óssea do rosto, e sua amplitude revelam o grau de vitalidade e energia do sujeito. Esta variável nos fala sobre a capacidade física da pessoa.

Os receptores: O nariz, a boca e os olhos estão intimamente ligados com a moldura. Se, como vimos, a moldura revela as reservas de energia da pessoa, o tamanho dos receptores indica qual deles gasta mais ou menos energia.

O tom: Refere-se à firmeza e grau dos músculos presentes na região do rosto. Ela está associada com o nível de vitalidade do sujeito, e serve para revelar se a predisposição vital da pessoa é ativa ou passiva.

A modelagem: O layout do contorno do rosto indica o grau de socialização da pessoa, e se a sua predisposição está mais associada com a intransigência ou com a adaptação:





  • Amassado

Geralmente têm problemas para se adaptar ao ambiente e podem ser muito imprevisíveis em suas reações. Eles são extremos em seus sentimentos e emoções, e vivem a vida com paixão tanto no amor quanto no ódio.


  • Ondulado

Indica que o sujeito tende à socialização e ao trabalho, sendo uma mistura entre simpatia e disposição.


  • Plano

Muito característico de pessoas sensíveis e vulneráveis. Apresentam dificuldade para se relacionar com os outros e podem parecer nervosos e rebeldes.


  • Redondo

Este tipo de rosto sugere uma alta receptividade e facilidade para relacionamentos pessoais, bem como um caráter acessível e benevolente.

Criticas à Morfopsicologia

Tal como acontece com todas as pseudociências, seus princípios e leis são baseados na observação, intuição ou, na melhor das hipóteses, em investigações científicas que revelaram alguma correlação entre duas variáveis ​​(neste caso, uma característica particular do rosto e um traço de personalidade). Uma vez que seria completamente absurdo afirmar uma relação absoluta entre possuir um traço fisionômico e apresentar um traço de personalidade, a maioria dos defensores da morfopsicologia apoiam a sua veracidade nestas correlações, que, por serem obtidas por meio de uma análise científica, não devem ser negligenciadas. Em todo caso, a veracidade desse tipo de teoria é muito limitada e as suas teses geralmente se baseiam em axiomas e não em dados obtidos cientificamente.

No entanto, a autenticidade da metapsicologia reside na própria concepção do determinismo genético do caráter, uma teoria amplamente refutada por inúmeros estudos que mostram a influência decisiva da educação e do ambiente social e cultural na personalidade, gostos e atitudes do indivíduo.

Fonte: Pscologiaymente traduzido e adaptado por Psiconlinews

sexta-feira, 10 de abril de 2015

'Síndrome do Imperador': Crianças mandonas e autoritárias



Você sabe o que é a 'Síndrome Imperador'?

As mudanças sócio-culturais das últimas décadas têm preparado o terreno para o surgimento de alguns comportamentos disfuncionais nas crianças. Um conjunto de atitudes e comportamentos que mais preocupam os pais é quando a criança se torna o mestre indiscutível da família, submetendo os outros membros da família às suas necessidades e caprichos.




Os ´´filhos imperadores´´ escolhem a comida que vai ser feita, onde a família vai passar as férias, o vai ser visto na televisão, a hora de ir dormir ou realizar outras atividades, e assim por diante. Para atingir os seus fins, gritam, ameaçam e agridem fisicamente e psicologicamente seus pais. Pode-se dizer que o seu nível de amadurecimento no campo da empatia (capacidade de se colocar no lugar da outra pessoa) é subdesenvolvido. Por esta razão, parecem ser incapazes de experimentar sentimentos como o amor, a culpa, o perdão e a compaixão.

Síndrome do Imperador: Entrando na mente da criança autoritária

Esse fenômeno tem sido chamado de "Síndrome do Imperador", uma vez que as crianças imperadoras estabelecem padrões de comportamento para satisfazer os seus caprichos e exigências acima da autoridade de seus pais ou responsáveis. Quem não cumprir as exigências da criança é vítima de birras ultrajantes e, até mesmo, agressão. A violência que os filhos exercem contra seus progenitores, aprendendo a controlá-los psicologicamente, resulta no êxito em fazê-los obedecer e realizar os seus desejos. Esta característica da personalidade destas crianças também foi apelidada de "filhos ditadores", devido ao seu domínio incontestável na família.

Características do filho imperador

Crianças Imperadores são facilmente distinguíveis: geralmente mostram traços de personalidade egocêntricas e têm pouca tolerância à frustração: não aceitam que suas exigências não sejam atendidas. Essas características não passam despercebidas na família, e muito menos na escola, onde as suas exigências podem ser menos satisfeitas. São crianças que não aprenderam a se controlar, nem regular os seus sentimentos e emoções. Elas têm a experiência necessária para saber quais são os pontos fracos de seus pais, a quem acabam manipulando com ameaças, ataques e argumentos inconstantes.

Causas Psicossociais da Síndrome do Imperador

Muitos psicólogos e psicopedagogos têm enfatizado que um dos fatores que podem levar a criança a adquirir padrões de comportamento da Síndrome do Imperador é a escassez de tempo para os pais educarem e estabelecer normas e limites para sua prole. Necessidades econômicas e um mercado de trabalho instável não oferecem aos tutores o tempo e espaço necessários para a criança, ocasionando um estilo educacional culpabilizante, e por isso ficam propensos a concordar e superproteger seus filhos.

Também se pode observar nessas crianças uma falta de hábitos afetivos familiares, negligenciando a necessidade de brincar e interagir com as crianças. Socialmente, um dos problemas que serve de base para o comportamento egocêntrico, é a atitude ultra-permissiva dos adultos com relação às crianças.

Diferenciando Autoridade de Autoritarismo

O estilo educativo predominante há décadas atrás se baseava no autoritarismo: Os pais gritavam, ditavam ordens e exerciam um controle punitivo sobre o comportamento das crianças. De certa forma, por medo de caírem nesse estilo de educação que muitos sofreram na própria carne, o estilo educativo atual deslocou-se para o extremo oposto: a ultra-permissividade.

Por isso, é importante lembrar que autoridade não é o mesmo que autoritarismo: os pais devem exercer um grau inteligente e controlado de autoridade, de maneira saudável e se adaptando às necessidades educacionais e evolutivas de cada criança.

A cultura do vale tudo: a ética do hedonismo e consumismo

Quando falamos de estilos de educação e ensino para os nossos filhos, devemos lembrar da influência determinante dos valores morais da sociedade como um todo, uma vez que esta forma de superestrutura ética compartilhada incentiva certos vícios e/ou virtudes na atitude da criança. A atual cultura consumista usa a bandeira do hedonismo como valor inalienável. Isso entra em conflito com qualquer tipo de imposição interna ou externa de responsabilidade sobre as próprias ações e com a cultura do esforço. Se esses valores não forem bem geridos e conduzidos, a criança aprende erroneamente que o seu direito de se divertir ou fazer o que quiser pode sobrepor o direito dos outros de ser respeitado, e perder a noção de que as recompensas exigem um esforço anterior.

Educação familiar e escolar

Os pais hesitantes, que exercem uma educação passiva e relaxada, não estabelecem limites de referência para a conduta dos filhos, permitindo a réplica, cedendo à chantagem e sendo vítimas até de agressões verbais e físicas.

O sistema de ensino também está saturado. Enquanto os pais perdem toda a sua autoridade, os professores estão na posição de estabelecer limites para crianças que foram educadas para desobedecer e desafiar em prol de suas demandas. Chega-se ao ponto em que o professor que tenta estabelecer normas, recebe reclamações de pais que não permitem que qualquer pessoa exerça autoridade sobre seus filhos. Isso reforça e fortalece as atitudes da criança imperador.

A criança imperador na adolescência

Na adolescência, as crianças imperadores consolidaram seus padrões comportamentais e morais, sendo incapazes de conceber que alguma autoridade externa possa impor limites. Em casos graves, podem chegar a agredir seus pais, sendo uma queixa cada vez mais frequente em delegacias de polícia. Na verdade, são as mães que mais sofrem, comparativamente, agressões e abusos por parte de seus filhos.

Cimentando a boa educação desde a infância

Os psicólogos e psicopedagogos concordam que é imprescindível definir uma base sólida na educação das crianças. Para educar futuros filhos, adolescentes e adultos saudáveis, livres e responsáveis, não devemos abrir mão da demarcação de limites claros, permitindo que a criança experimente algum grau de frustração para entender que o mundo não gira em torno do seu ego.

Fonte: Psicologiaymente traduzido e adaptado por Psiconlinews

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Experimento Social: Como Você Reagiria se Testemunhasse um Estupro?






Já que a Suécia é o país onde há mais denúncias de estupros, dois russos decidiram fazer uma forte experiência social em Estocolmo. Os jovens se trancaram em um carro suspeito enquanto uma menina gritava por socorro aos transeuntes. Durante o experimento, cerca de 85% das testemunhas do "estupro" decidiu ignorar e sequer ligou para a polícia. Como você reagiria?

quarta-feira, 8 de abril de 2015

10 Filmes sobre Transtornos Mentais e Psicologia


A psicologia também tem o seu lugar no cinema. É claro que quase todo filme pode ter uma leitura psicológica de seus personagens ou de quem o dirigiu. No entanto, esta lista de filmes sobre psicologia é especialmente recomendada para qualquer pessoa interessada em entender um pouco mais sobre a disciplina:




1. O Príncipe das Marés (1991)

Melodrama romântico dirigido por Barbra Streisand, baseado no livro homônimo de Pat Conroy. Embora seja uma história baseada no amor e no perdão, também fala sobre os traumas da infância e das consequências que podem ter na idade adulta.

2. O Escafandro e a Borboleta (2007)

Este é um filme que fala sobre as consequências psicológicas de ter uma deficiência física. O protagonista, o ex-editor da revista Elle, está preso em seu próprio corpo, devido à chamada síndrome do enclausuramento, que o deixa incapaz de mover qualquer membro, exceto um olho. Este olho será a única forma de comunicação com as outras pessoas, e que o permitiu escrever uma autobiografia, a mesma em que este filme foi baseado e que compartilha seu nome. O filme também contêm uma carga emocional significativa. É uma reflexão sobre a relação entre a mente (ou melhor, a consciência) e o próprio corpo.

3. Um estranho no ninho (1975)

Neste filme, estrelado pelo ilustre Jack Nicholson, aparecem os problemas essenciais da tradição que sustenta muitas instituições para doentes mentais: a subestimação do interno e agente responsável pela sua própria vida, os rótulos diagnósticos e os métodos invasivos para mudar padrões de comportamento. Ele é baseado no romance de Ken Kesey e ganhou muitos prêmios devido à sua técnica perfeita e mensagem humanista que transmite.

4. Memento (2000)

O filme combina uma exemplificação perfeita do que é a amnésia anterógrada (um distúrbio no qual novas memórias não são formadas) com uma forma de comunicar que nos faz compreender melhor esse transtorno. O filme é composto por dois tipos de cenas, umas em preto e branco e outras coloridas, que indicam o tempo (futuro ou passado) em que ocorrem. O filme também nos faz questionar como fica a identidade quando não existe memória para conectar as experiências que vivenciamos.



5. Take Shelter (2011)

Um pai de família comum começa a ceder ao medo de um possível apocalipse sem qualquer explicação racional. A partir desse momento, em uma espiral de decisões precipitadas sem que saibamos se existem motivos reais para o comportamento do personagem ou se ele está delirando. Este filme pode ser incluído em nossa lista de filmes sobre psicologia pelas sensações que desperta, embora seja mais uma metáfora para o estilo de vida americano, profundamente baseado na propriedade privada, do que a ilustração de uma paranoia.

6. Funny Games (1997)

Uma família em férias é feita refém em sua própria casa por dois homens que se vestem como golfistas. A partir dessa premissa, o diretor austríaco Michael Haneke, demora mais de uma hora para nos mostrar o que acontece quando a psicopatia é combinada com uma alta dose de maldade e vontade de acabar com o próximo. A abordagem realista combinada com um componente de meta ficção, onde o espectador é interpelado diretamente pelo que está vendo, não ajudam a tornar o filme mais leve. Filme não recomendado para estômagos sensíveis.

7. Sou um cyborg (2006)



Muito mais lírico do que o filme anterior, Sou um cyborg é um filme ambientado na Coréia do Sul, onde uma jovem mulher é internada num hospital psiquiátrico por causa de suas alucinações. É uma história de amor em que o pretendente, que também está internado, vai entendendo a realidade paralela criada pela protagonista, sua lógica oculta, para ajudá-la.

8. O experimento (2001)

Uma lista de filmes sobre psicologia não poderia excluir o aspecto social do nosso comportamento. O experimento é um filme baseado numa experiência realizada em 1971, na prisão de Stanford, sob a liderança do psicólogo Philip Zimbardo. Várias pessoas foram divididas aleatoriamente em duas categorias: guardas de uma prisão fictícia e seus prisioneiros. Durante este experimento, que terminou de forma precipitada por sair do controle dos experimentadores, se pode ver até que ponto elementos sociais superficiais, como fazer parte de um grupo, podem mudar completamente a moralidade das pessoas.

9. Melhor ... impossível (1997)

O transtorno obsessivo-compulsivo é retratado aqui de forma bem humorada. Melvin Udall (Jack Nicholson) constrói o seu dia a dia com uma rotina inquebrável e uma capacidade única de ser detestável. Udall vai deixando que as compulsões e os padrões repetitivos de comportamento ditem a sua vida, até que um dia uma novidade cruza seu caminho e muda o seu caráter de uma forma positiva.

10. A laranja mecânica (1971)

Um dos grandes clássicos de Stanley Kubrick, baseado em um romance de mesmo nome. O protagonista está acostumado a uma vida de violência e desordem por causa de um provável transtorno de personalidade anti-social. Quando foi preso, um grupo de técnicos decidiu testar um método para suprimir impulsos violentos através de uma boa dose de psicologia comportamental. Este filme discorre sobre a crença em pequenos gatilhos invisíveis que ativam certos padrões de comportamento e que estão fora do controle da pessoa. Esta utopia futurista é considerada por muitos como a rainha dos filmes sobre psicologia.

Fonte: Psicologiaymente traduzido e adaptado por Psiconlinews

terça-feira, 7 de abril de 2015

Relato de Gisele: Um Desabafo e Uma Superação



Minha história parece uma novela mexicana. Cresci indo para igrejas, cantava em corais, grupos de meninas, e assim aperfeiçoei minha voz. Mas a partir dos 11 anos comecei a ser molestada sexualmente pelo meu avô, que na verdade não é avô, ele foi o padrasto da minha mãe. Fui abusada dos 11 anos até os 16 anos, e isso acarretou certos traumas em mim: não conseguia olhar nos olhos das pessoas, me sentia suja, parecia que aquilo impregnou na minha alma e se instalou lá. O tempo passou e nenhum dos meus relacionamentos foi bem sucedido. Aquilo fui me tornando um ser auto rejeitado, complexado, triste, e fui me afastando de amigos, pessoas e família. Desenvolvi uma diabetes e perdi o que sobrou das minhas forças: cheguei a pesar 38kg. Comecei a me trancar no quarto por longos anos. Me sentia um ser ruim, sujo e rejeitado.





Passei a fazer da internet o meu mundo. Vivia literalmente 24 horas em função disso, a criar personagens falsos de mim, não era fake... Não, não era. Eu fingia ser quem não era, e no inicio foi bem agradável ser elogiada e 'popular ', tive vários amigos, fui me encaixando nesse mundo, aqueles 15 minutos de fama, sabe ?! E fui me tornando arrogante, prepotente, pisava nas pessoas, só que como quem sobe no cavalo um dia cai, minha estrela parou de brilhar para os meus amigos, perdi toda aquela admiração das pessoas, e percebi que precisava mudar.

Hoje tomo insulina três vezes ao dia, e nesse estágio da minha vida, aprendi que as pessoas podem sim mudar. Tudo é um aprendizado. A cada dia melhoro mais e mais, e aprendi muito com as pessoas que passaram pela minha vida. Minha primeira mudança foi se afastar do homem que me provocou esse trauma. Nunca contei a ninguém sobre ele ter me molestado, nem fiz queixa. Quero que publiquem minha história, pois assim as pessoas irão saber e eu vou adquirir as forças que preciso para tomar coragem e contar. Preciso me livrar deste peso e desabafar para alguém.

Gisele Arwen Oliveira

Mecanismos de Defesa: 10 Maneiras de Não Enfrentar a Realidade



Os mecanismos de defesa da psicanálise

Sigmund Freud falou que o papel do EGO é satisfazer os impulsos de ID e não ofender o caráter moral do SUPER EGO, enquanto a realidade é apreciada. Não é uma tarefa fácil, e Freud descreveu os mecanismos que usamos para gerenciar os conflitos entre essas instâncias psíquicas. Mecanismos de defesa, portanto, são procedimentos inconscientes que mantem o equilíbrio psicológico ao enfrentarmos a ansiedade associada à exposição consciente de uma representação pulsional (sexual ou agressiva) ou com a transgressão de um código moral.




Mecanismos de defesa são formas incorretas de resolver um conflito psicológico e podem levar a distúrbios na mente, no comportamento e, em casos extremos, na somatização do conflito psicológico. Aqui estão 10 mecanismos de defesa:

1. Deslocamento

Refere-se ao redirecionamento de um pulso (geralmente uma agressão) para uma pessoa ou objeto. Por exemplo, alguém que está frustrado com seu chefe e chuta o seu cão.

2. Sublimação

É similar ao redirecionamento, mas o impulso é canalizado para uma forma mais aceitável. Um instinto sexual é sublimado em um propósito não-sexual, sendo redirecionado para uma atividade aceita socialmente, como uma atividade artística, física ou objetos de pesquisa intelectual.

3. Repressão

É o primeiro mecanismo de defesa descoberto por Freud. Refere-se ao fato do EGO reprimir desejos e pensamentos que causariam dor se estivessem no nível consciente, pois a satisfação do desejo reprimido é inconciliável com outras exigências do SUPER EGO.

4. Projeção

Refere-se a indivíduos que atribuem os seus próprios pensamentos, motivos ou sentimentos para outra pessoa. As projeções mais comuns são comportamentos agressivos que levam a um sentimento de culpa e fantasias não-aceitas socialmente ou pensamentos sexuais. Por exemplo, uma garota odeia sua companheira de quarto e seu SUPER EGO diz que isso é inaceitável. Seu EGO então resolve o problema projetando o ódio para a outra pessoa, e acreditando que é a companheira de quarto que odeia ela.

5. Negação

É o mecanismo pelo qual o sujeito bloqueia eventos externos para que não façam parte da consciência e, portanto, trata aspectos óbvios da realidade como inexistentes. Por exemplo, um fumante que nega que o tabagismo pode causar sérios problemas para sua saúde.

6. Regressão

Refere-se a qualquer retrocesso a situações ou hábitos anteriores, um retorno a padrões de comportamento imaturos. Por exemplo, um adolescente que ao não receber permissão para sair no fim de semana, tem um acesso de raiva e choro na frente de seus pais.

7. Formação Reativa

Os impulsos são apenas reprimidos, mas também são controlados através do exagero do comportamento oposto. Ou seja, a ocorrência de um pensamento doloroso é substituído por outro, mais agradável. Por exemplo, uma pessoa está muito irritada com um amigo, mas diz que está tudo bem para evitar uma discussão.

8. Isolamento

É um mecanismo pelo qual as memórias se divorciam dos sentimentos, para que a pessoa consiga suportar os fatos. Se separa uma memória intolerável para o EGO das emoções que ela produz, assim ela permanece na consciência de uma forma enfraquecida. Por exemplo, falar  de um evento traumático como algo normal, como se estivesse falando sobre o tempo.

9. Condensação



É um mecanismo pelo qual os elementos do inconsciente (conteúdo latente) são combinados em uma única imagem ou objeto durante o sono. É a concentração de vários significados num único símbolo. O processo de condensação faz com que a história do conteúdo manifesto seja muito menor do que a descrição do conteúdo latente. É um termo que surgiu das explicações psicanalíticas sobre a origem dos sonhos.

10. Racionalização

A racionalização é a substituição da razão verdadeira, mas não-aceitável, por outra, aceitável. Ou seja, altera-se a perspectiva da realidade por meio de uma explicação diferente. Por exemplo, uma mulher se apaixona perdidamente por um homem. Um mês depois ele deixa a mulher alegando que ela não tem auto-confiança e não o deixava respirar. Mesmo depois do terceiro término consecutivo, pela mesma razão, ela conclui: "Eu sabia que este homem era um perdedor".

Fonte: Psicologiaymente traduzido e adaptado por Psiconlinews

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Comentarista Com Formação em Psicologia Chama as Pessoas Depressivas De Covardes



O jornalista do SBT Santa Catarina, Luiz Carlos Prates, psicólogo por formação, criou polêmica mais uma vez nesta semana, por conta de seus comentários considerados preconceituosos.

Na última segunda (30), no telejornal "SBT Meio Dia", Prates falou sobre o co-piloto Andreas Lubitz, que derrubou um avião de propósito na França e matou 150 pessoas. O rapaz sofria de depressão e escondeu isso da empresa área.




Usando este caso, que é de fato uma exceção, o jornalista falou sobre depressão e acabou sendo desrespeitoso. Disse que pessoas depressivas são "covardes existenciais" e que deviam ser "execrados" e "desprezados".

"Nessa hora também entra o caráter. A pessoa pode, por exemplo, se suicidar. Ou pior, matar outras pessoas. Todos os depressivos são pessoas frustradas. Não são dignas de pena. O que a gente precisa é sacudir esses doentes, para que eles reflitam e revejam o que realmente é importante na vida deles, porque senão ele pode ser um perigo para ele e para a sociedade", disse Prates.

Prates diz que, se necessário, despreza os depressivos

O apresentador opinou ainda comentando que estatisticamente os depressivos são mais perigosos para os outros. Para o jornalista, o copiloto que matou todos no acidente aéreo não tem que "ser chorado", mas sim "execrado". "Que o demônio receba com os braços abertos (...) O depressivo não precisa de carinho, mas sim ser apresentado às duras verdades, nada de pena, já que é um covarde. Não sinto pena de quem tem depressão, mas se for necessário, até desprezo essas pessoas", finalizou.




Ele tem longa folha corrida de serviços prestados à burrice e ao preconceito. Quando na RBS, culpou “os miseráveis” pelo aumento de acidentes de carros.

A ditadura foi responsável por um período em que o país “nunca cresceu tanto”, disse. “Estradas rasgaram o Brasil, universidades foram multiplicadas. Ciência e tecnologia começaram para valer no país sob a tutela dos militares.” Liberdade ele tinha como jovem. “Não era molestado por quem quer que seja. Eu tinha segurança de cidadão brasileiro. Hoje, saia a noite. Não tem mais segurança”.

Ele acha que precisamos de aulas de moral e cívica e tem receitas para as famílias. Uma criança “gazeteira” de 8 anos está perdida. Ela não vai mais “se emendar”. “Ela já passou de formação do caráter, que vai até aos seis anos, se tanto. Daqui em diante, será sempre um cara perigoso, para não dizer pior”, afirma.

Não vamos colocar o vídeo do tal comentarista que se diz psicólogo de formação. Além de conter uma série de asneiras sobre o que é a depressão, ele incita as pessoas a acreditarem que a depressão está ligada à atitude homicida do copiloto, o que não tem nada a ver. Esses discursos de ódio, preconceituosos e generalizantes são uma tática que estes comentaristas de opinião se utilizam para ganhar destaque nacional. Muito triste que as coisas sejam assim. 

5 Coisas que Alice no País das Maravilhas nos Revela Sobre o Funcionamento do Cérebro


Por David Robson

O conto popular de Lewis Carroll contem algumas verdades sobre o cérebro humano que estão inspirando os neurocientistas. 

Lewis Carroll foi incrivelmente modesto em sua obra-prima. "A heroína passa uma hora no subsolo e atende vários pássaros, animais, etc (sem fadas), dotados de fala", escreveu ele. "A coisa toda é um sonho, mas eu não vou revelar o final".




Agora, um século e meio depois de Alice ter feito sua primeira jornada - o conto humilde de Carroll inspirou inúmeros filmes, pinturas e até mesmo um ballet. Mas o mais curioso é a maneira como o conto como moldou a nossa compreensão do cérebro. Não apenas a psicologia freudiana, mas inclusive a neurociência moderna.

Memória, linguagem e consciência: muito antes de termos acesso à tecnologia para mapear as maravilhas do cérebro, Carroll já traçava seus contornos com seus experimentos mentais lúdicos. "Ele explora muitas possibilidades sobre a continuidade do self, como lembramos do passado e pensamos no futuro - há muita riqueza sobre o que sabemos da ciência cognitiva", diz Alison Gopnik, da Universidade da Califórnia , Berkeley.

Todos podemos aprender um pouco sobre nós mesmos a partir de Alice no País das Maravilhas - se vislumbrarmos da maneira correta. 

"Me beba"

"Bem, eu vou comê-lo", disse Alice, ´´e se me fizer crescer, eu poderei alcançar a chave; e se me fizer ficar menor, poderei rastejar por baixo da porta; por isso, de qualquer maneira eu entrarei no jardim, e não me importo com o que vai acontecer! "
Em uma de suas primeiras aventuras, Alice encontra uma poção com "Me beba" em seu rótulo, e que a deixou com apenas 10 centímetros de altura. Mas um bolo mágico tem o efeito oposto - e agora ela está tão grande que a sua cabeça bate no teto. As cenas estão entre as mais memoráveis ​​do livro - e chamaram a atenção dos cientistas.

Em 1955, um psiquiatra chamado John Todd descobriu que alguns pacientes relataram exatamente o mesmo sentimento de "abrir-se como um telescópio". A doença é conhecida como Síndrome da Alice no País das Maravilhas, e parece ser mais comum em crianças. "Eu ouvi pacientes dizendo que as coisas apareciam de cabeça para baixo, ou que a mãe estava do outro lado da sala e, do nada, aparecia do seu lado", diz Grant Liu, um neurologista da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, que estudou o fenômeno.



Diários de Carroll mostram que ele sofria de enxaquecas, que muitas vezes desencadeiam a síndrome - levando alguns a especular que ele estava usando suas próprias experiências como inspiração. Liu suspeita que a síndrome possa ter criado a atividade anormal nos lobos parietais, que são responsáveis ​​pela percepção espacial, distorcendo o sentido de perspectiva e distância. Mas, apesar do fato serem perturbadoras, essas ilusões passageiras são geralmente inofensivas. "A maioria não se afeta - e nós apenas fornecemos a garantia de que o paciente não está louco e que qualquer um pode ter estas experiências", diz Liu. Hoje, os neurocientistas estão tentando evocar a ilusão em indivíduos saudáveis ​​- eles acreditam que assim poderiam explicar a forma como criamos o nosso senso de self no aqui e agora.

A duquesa e o gato Cheshire

Desta vez, não poderia haver nenhum erro: era nada mais nada menos que um porco, e ela sentiu que seria absurdo continuar carregando-o.
Alice nos País das Maravilhas é cheio de personagens que se metamorfoseiam, incluindo a Duquesa e o seu bebê chorão. Enquanto Alice o segura em seus braços, o nariz do bebê se torna mais arrebitado; seus olhos ficam mais próximos um do outro, e ele começa a grunhir. Antes que ela soubesse, o bebê se transformou em um porco. Em outra parte, Alice joga críquete com flamingos como se fossem clubes, e se encontra com o gato Cheshire sorrindo, cujo sorriso permanece mesmo quando seu corpo desaparece.

Os sonhos muitas vezes contêm objetos que se transformam em novas identidades, e essa característica é uma das maneiras mais inteligentes que as aventuras de Alice evocam de uma mente adormecida - junto com a estranha sensação de que o tempo está brincando com ela. Neurocientistas acreditam que o fenômeno decorre pela forma como o cérebro consolida as memórias durante o sono; uma vez que consolida as lembranças, ele desenha ligações entre diferentes eventos para construir a uma história. Quando cruza a memória de um porco com um evento sobre um bebê, por exemplo, ambos se fundem na paisagem do sonho, gerando um efeito surreal.

Humpty Dumpty e Jabberwocky

"Meu NOME é Alice, mas...""É um nome bem idiota!" Humpty Dumpty interrompeu impaciente. "O que quer dizer?""Um nome PRECISA significar alguma coisa?" Perguntou Alice."É claro que deve," disse Humpty Dumpty com uma risada curta: "Meu nome significa a forma que sou - e uma forma muito legal. Com um nome como o seu, você pode ser de qualquer forma".
As aventuras de Alice em Através do Espelho continuam essas explorações - incluindo algumas incursões lúdicas sobre a natureza do discurso.

Fundamentalmente, Alice encontra Humpty Dumpty, e sua conversa explora a natureza das palavras. Pode uma frase de duas palavras como Humpty Dumpty evocar sua "forma muito legal" melhor do que outros sons aleatórios? Esta é uma questão filosófica antiga que remonta a Platão. Anteriormente, os cientistas tinham assumido que seria impossível - as palavras são arbitrárias e não há nenhum significado inato nos sons. Mas agora parece que Humpty estava certo.

Considere as palavras "kiki" e "bouba". Se fossem dadas várias formas para serem rotuladas, a maioria das pessoas escolheriam kiki para um objeto pontiagudo e bouba para uma forma redonda. Tal "simbolismo do som" agora é uma área popular de pesquisa, embora a razão ainda não seja totalmente clara; uma teoria é que a associação venha das formas que os lábios fazem ao se articular os sons.

Seja qual for a causa, isso significa que você pode, por vezes, adivinhar o significado de palavras estrangeiras com uma precisão melhor do que o acaso; isso também pode influenciar nos apelidos dados às pessoas, de modo que, como Humpty Dumpty, eles realmente reflitam a sua aparência. O mais intrigante é que alguns pesquisadores suspeitam que isso poderia ser resultado de "fósseis linguísticos" que refletem as primeiras expressões da humanidade.

A Rainha Branca e viagem mental no tempo

"É uma espécie de memória pobre que só funciona para trás," comentou a rainha."Que tipo de coisas você se lembra melhor?" Alice aventurou-se a perguntar."Oh, as coisas que aconteceram na semana depois da próxima", respondeu a rainha em tom descuidado.
Mais tarde, em sua jornada, Alice tem longas discussões com a Rainha Branca. Ela é uma das criações mais desconcertantes de Carroll, alegando ter uma estranha forma de previdência. Na verdade, seus comentários sobre a memória são surpreendentemente visionários. "Uma vez que os neurocientistas em meados dos anos 2000 começaram a descobrir que a memória não está relacionada somente com o passado, mas, principalmente, na utilidade que ela tem para ajudar a resolver problemas futuros", diz Eleanor Maguire do University College London, que muitas vezes usa a Rainha Branca para ilustrar a ideia. "Você precisa se projetar para a frente para trabalhar melhor o curso de ação."

Uma possibilidade é que ao imaginarmos o futuro, separamos nossas lembranças e, em seguida, as unimos numa montagem para representar um novo cenário. Desta forma, a memória e a previsão utilizam a mesma "viagem mental no tempo" pelas mesmas áreas do cérebro. Maguire, por exemplo, estudou pessoas com danos no hipocampo; a lesão significa que elas não conseguem se lembrar do seu passado, mas ela descobriu que esses paciente também têm o mesmo problema com relação à antecipação de fatos vindouros. "Pedimos para imaginarem um encontro com algum amigo no próximo fim de semana - e eles simplesmente não conseguiam". O mesmo aconteceu quando foram convidados a imaginarem uma futura caminha à beira mar. "Eles sabiam que teria areia e mar, mas não conseguiam visualizar a situação em suas mentes". Em outras palavras, ao contrário da Rainha Branca, eles estão presos para sempre no presente.

Você pode ter pensamentos impossíveis?

"Não adianta tentar," Disse Alice: "Não se pode acreditar em coisas impossíveis""Eu ouso dizer que você não tem muita prática", disse a Rainha. "Quando eu tinha a sua idade, sempre fazia isso por meia hora todos os dias. Por que, às vezes eu acreditava em seis coisas impossíveis, antes mesmo do café da manhã".
Continuando sua exploração da imaginação humana, a rainha elogia as virtudes de pensar o impossível. A passagem falou com Gopnik, que se apaixonou pela história de Alice no país das maravilhas desde a primeira vez que ouviu sua mãe contar, quando tinha 3 anos de idade, agora ela tem uma carreira onde estuda a forma como construímos nossas imaginações.

Ela descobriu, por exemplo, que as crianças que brincam "acreditando no impossível" tendem a desenvolver uma cognição mais avançada. Elas são melhores em entender o pensamento hipotético, por exemplo, e tendem a desenvolver uma "teoria da mente" mais avançada, possibilitando com que tenham uma compreensão mais astuta sobre os motivos e intenções dos outros. "Muito do que elas fazem na brincadeira é formar uma hipótese e segui-la até a conclusão lógica", diz Gopnik. "O interessante é que Carroll também era um mágico e você pode ver essa mesma capacidade quando toma uma premissa para chegar à uma conclusão absurda".

Travis Proulx na Universidade de Tilburg, na Holanda, examinou a forma como uma literatura surreal e absurda, como a de Carroll, influencia a nossa cognição. Ele descobriu que, romper as nossas expectativas em um mundo estranho, alienígena, com histórias fantásticas, faz com que nosso cérebro seja mais flexível, nos tornando mais criativos e ágeis para aprender novas ideias. ´´Não tenho nenhuma dúvida de que estimular esses estados mentais contribui para o desenvolvimento da aprendizagem e origina novas conexões", diz Proulx.

Gopnik aponta que algumas drogas alucinógenas também podem ajudar a chegar ao estado infantil de livre-associação, mas a leitura certamente é o caminho mais seguro para voltar o relógio e ver o mundo a partir de uma nova perspectiva. Como Carroll escreve: "Por isso, muitas coisas ´´fora do comum´´ aconteceram depois que Alice começou a acreditar que, de fato, pouquíssimas coisas eram realmente impossíveis". Seus leitores certamente concordam.

Fonte: BBC traduzido e adaptado por Psiconlinews

sexta-feira, 3 de abril de 2015

3 Coisas Que os Pais Nunca Deveriam Dizer Para Seus Filhos


Por Erica Reischer 

Uma criança choramingando incessantemente, ou um adolescente que não pára de discutir, mesmo depois de dizermos: "Não". Somado a isso, podemos estar preocupados com o trabalho, chateados por alguma interação desagradável com um parente, ou exaustos depois de um longo dia. Num cenário destes, pode ser extremamente difícil escolher as palavras com cuidado, mas elas têm um impacto significativo sobre nossos filhos, especialmente quando são repetidas regularmente. Se essas palavras forem ásperas ou que incitem culpa, é provável que a relação com os nossos filhos seja prejudicada.




Aqui estão três coisas que você nunca deve dizer para os seus filhos:

1. "Você está me deixando louca!"

Esta frase, e outras do tipo, usa a culpa para motivar a criança a mudar de comportamento. Sim, podemos nos sentir como se nossos filhos estivessem nos deixando loucas em algum momento, mas não podemos dizer isso para eles. Na verdade, a expressão dos nossos sentimentos desta forma, não editada, é susceptível de agravar a situação momentânea e, à longo prazo, afetar negativamente a relação com os nossos filhos. Pior, ela faz a criança se sentir responsável pelos maus sentimentos das outras pessoas, uma receita para a baixa auto-estima e ansiedade.

2. "O que há de errado com você?"

Esta frase, e outras do tipo, usa a vergonha para motivar a criança a mudar de comportamento. Tal como acontece com a frase culpabilizante acima, esta frase vexatória enquadra a situação como sendo culpa do seu filho, em vez de reconhecer que todas as situações são um produto complexo de muitos fatores diferentes, incluindo nossas próprias percepções, humores, experiências anteriores e expectativas.

Por exemplo, se você entrar no quarto e descobrir que seu filho de cinco anos de idade acabou de cortar sua camisa favorita em pedaços, você pode ficar tentada a exclamar: O que há de errado com você? Em vez disso, lembre-se que, seja qual for a situação, as ações do seu filho são quase sempre uma tentativa de atender alguma necessidade, como obter a sua atenção; ou obter informação (O que acontece se eu fizer X?); ou envolvimento criativo (Preciso de algum tecido para minha colagem).

Além disso, esta frase vexatória diz ao seu filho que ele é falho, e centra a sua atenção sobre o que há de errado com ele, como pessoa, em vez de orientá-lo sobre o que fazer de diferente para criar um resultado mais positivo. Mais uma vez, esta é uma receita para prejudicar o bem-estar.

3. "Eu gostaria mais de você se..."

Esta frase, e outras semelhantes, usa o medo para motivar a mudança. Ele se baseia na agressão e intimidação. Tenha em mente: Um dia seus filhos vão crescer e ser independentes, por isso, se esta é a sua estratégia, um dia ela não será mais eficaz. Mas o que é mais problemático sobre esta estratégia é que ela ensina as crianças, através da modelagem de comportamento, a conseguirem o que desejam através da agressão e intimidação. Além disso, ao longo do tempo esta frase é suscetível de minar a confiança e o respeito do relacionamento com seus filhos.

O que cada uma destas três frases problemáticas tem em comum é: Elas chamam a atenção para a criança como pessoa, em vez do seu comportamento.

Em quase todas as situações, o problema em questão é o que a criança disse e/ou fez, e isto é o que precisa ser tratado. Usar a vergonha, a culpa ou o medo, acabará sendo um tiro pela culatra, porque essas estratégias não se concentram no problema real (o comportamento) e implicam que o seu filho seja o problema.



Podemos ensinar às crianças que o comportamento é uma escolha, e enfatizar que elas podem aprender a fazer escolhas melhores. Fazer uma escolha ruim não significa que elas sejam ruins; apenas que cometeram um erro e precisam de mais prática e treinamento para fazerem melhor da próxima vez.

Então, o que podemos dizer nesses momentos acalorados, a fim de ajudar nossos filhos a mudar de comportamento? Em suma, foque o seu comportamento de forma explícita. Aqui estão três frases para ajudar você a conseguir isso:

  • "Eu não gosto desse comportamento."
  • "Eu não gosto quando você ____."
  • "Quando você ____, sinto-me _____."


Depois não se esqueça de explicar por que o comportamento não é normal, e converse sobre o que ela poderia fazer da próxima vez.

Fonte: PsychologyToday traduzido e adaptado por Psiconlinews