terça-feira, 27 de maio de 2014

Aceitar quem você é para se tornar quem deseja ser


By on 14:13

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Confesso a vocês que sou fã de animes e mangás e dentre eles tem um que acho fantástico. Chama-se Naruto. Este mangá, que também foi transformado em anime, conta a saga do personagem título.
Naruto foi uma criança órfã, sem amigos ou parentes, que ao ser rejeitada pela vila onde morava, tornou-se uma criança “traquina”, pois precisava, de alguma forma, ser vista pelos outros. Era o que se costuma chamar de criança-problema: não tinha família ou amigos, tinha problemas de aprendizagem na escola, os professores não o queriam e a vila o temia. Já estava perto de abandonar a escola, e seu sonho de se tornar um grande ninja, quando algo lhe aconteceu: foi reconhecido. Alguém (seu professor), o viu além do título de garoto-problema e o reconheceu como Naruto Uzumaki.
Existem vários pontos que podemos analisar nesse mangá (e provavelmente farei em outros posts): a persistência de Naruto para alcançar seu sonho, a importância da amizade, o papel de um professor, os prejuízos que causamos ao rotular alguém, a beleza da lealdade e a aceitação de si mesmo. Nesse texto, pretendo falar sobre esse último aspecto: aceitar quem você é.
Um dos motivos para Naruto ser tão rejeitado na vila é que ele possuía um “monstro” dentro dele e todas as vezes em que ele era instigado, esse monstro vinha à tona e mostrava o seu lado mais sombrio, sendo capaz de destruir tudo ao seu redor. As pessoas não o viam ao olhar para ele, mas sim a fera que o habitava. Isso fez com que Naruto rejeitasse esse hóspede incômodo, inúmeras vezes, sem aceitar essa energia dentro dele. E quanto mais Naruto o repudiava, mais forte ele se tornava.
Ao analisarmos pelo aspecto da psicologia analítica, vemos que Jung já havia declarado que precisamos aceitar a nossa sombra para poder nos transformarmos. E o que é a sombra? Para Jung, a sombra é o que nós não temos o desejo de ser e inclui desejos, memórias, tendências e experiências que rejeitamos, pois os consideramos como incompatíveis com os padrões e ideais sociais, mas que estão em nós. No entanto, quando nos tornamos conscientes desses aspectos, não o rejeitando, menos forças eles terão sobre nossos atos.
Naruto sempre achou que deveria lutar contra esse monstro que o habitava, mas mudou sua atitude ao conhecer uma pessoa de outra vila, Killer Bee, que também tinha uma fera dentro de si, só que conseguiu conviver com ela. Mais do isso. Tornaram-se “amigos”. E essa fera, em muitos momentos, era quem dava forças para Killer Bee conseguir vencer suas batalhas. A partir daí, Naruto percebeu que também poderia conviver com seu “demônio” interno e que, talvez, nem fosse tão “demônio” assim. Bastava, para isso, saber conviver com ele. Um processo que você também pode conseguir através da terapia, da análise pessoal, pois, como afirma Jung “só aquilo que somos realmente tem o poder de curar-nos”. Naruto conseguiu. Você também consegue. 

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