Muitas vezes uma família, em função das relações estabelecidas entre seus membros, é corroída por uma serialidade interna, ou seja, seus membros não conseguem tecer seus projetos individuais em torno de um projeto coletivo, permanecendo uma pluralidade de solidões. A forma como a nossa sociedade, nossa cultura ocidental, concebe as relações entre as pessoas, sustentando-se em concepções deterministas, que as lançam em um solipsismo, em um subjetivismo, acabam por forjar estruturas familiares serializadas. O terror instaura-se em seu seio, na busca de escapar à dissolução; as relações reduzem-se a cobranças morais, a uma exigência de falsa unidade. Eis aqui uma das fontes da solidão social e, consequentemente, da produção da loucura: as pessoas experimentam-se cada vez mais sozinhas, mais desesperadas, pois desejam uma mediação que está impossibilitada de acontecer em função da maneira como se estabeleceram as relações no interior do seio familiar. Uma família, quando consegue ser um grupo, estabelece um projeto comum, e se torna uma das principais mediações do projeto de ser dos sujeitos.