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segunda-feira, 6 de abril de 2015

Comentarista Com Formação em Psicologia Chama as Pessoas Depressivas De Covardes



O jornalista do SBT Santa Catarina, Luiz Carlos Prates, psicólogo por formação, criou polêmica mais uma vez nesta semana, por conta de seus comentários considerados preconceituosos.

Na última segunda (30), no telejornal "SBT Meio Dia", Prates falou sobre o co-piloto Andreas Lubitz, que derrubou um avião de propósito na França e matou 150 pessoas. O rapaz sofria de depressão e escondeu isso da empresa área.




Usando este caso, que é de fato uma exceção, o jornalista falou sobre depressão e acabou sendo desrespeitoso. Disse que pessoas depressivas são "covardes existenciais" e que deviam ser "execrados" e "desprezados".

"Nessa hora também entra o caráter. A pessoa pode, por exemplo, se suicidar. Ou pior, matar outras pessoas. Todos os depressivos são pessoas frustradas. Não são dignas de pena. O que a gente precisa é sacudir esses doentes, para que eles reflitam e revejam o que realmente é importante na vida deles, porque senão ele pode ser um perigo para ele e para a sociedade", disse Prates.

Prates diz que, se necessário, despreza os depressivos

O apresentador opinou ainda comentando que estatisticamente os depressivos são mais perigosos para os outros. Para o jornalista, o copiloto que matou todos no acidente aéreo não tem que "ser chorado", mas sim "execrado". "Que o demônio receba com os braços abertos (...) O depressivo não precisa de carinho, mas sim ser apresentado às duras verdades, nada de pena, já que é um covarde. Não sinto pena de quem tem depressão, mas se for necessário, até desprezo essas pessoas", finalizou.




Ele tem longa folha corrida de serviços prestados à burrice e ao preconceito. Quando na RBS, culpou “os miseráveis” pelo aumento de acidentes de carros.

A ditadura foi responsável por um período em que o país “nunca cresceu tanto”, disse. “Estradas rasgaram o Brasil, universidades foram multiplicadas. Ciência e tecnologia começaram para valer no país sob a tutela dos militares.” Liberdade ele tinha como jovem. “Não era molestado por quem quer que seja. Eu tinha segurança de cidadão brasileiro. Hoje, saia a noite. Não tem mais segurança”.

Ele acha que precisamos de aulas de moral e cívica e tem receitas para as famílias. Uma criança “gazeteira” de 8 anos está perdida. Ela não vai mais “se emendar”. “Ela já passou de formação do caráter, que vai até aos seis anos, se tanto. Daqui em diante, será sempre um cara perigoso, para não dizer pior”, afirma.

Não vamos colocar o vídeo do tal comentarista que se diz psicólogo de formação. Além de conter uma série de asneiras sobre o que é a depressão, ele incita as pessoas a acreditarem que a depressão está ligada à atitude homicida do copiloto, o que não tem nada a ver. Esses discursos de ódio, preconceituosos e generalizantes são uma tática que estes comentaristas de opinião se utilizam para ganhar destaque nacional. Muito triste que as coisas sejam assim. 

quinta-feira, 26 de março de 2015

7 Sinais Para Identificar Uma Pessoa Que Esconde Sua Depressão


Por Robert Locke

Pessoas deprimidas geralmente são fáceis de identificar: ​​podem ser sombrias, tristes e apáticas. Mas o que acontece com aquelas que escondem sua depressão? Elas podem ser extrovertidas e simpáticas! Este é o problema com a depressão escondida: estas pessoas são especialistas em dissimular a situação real. Como podemos identificar e ajudá-las? Aqui estão 7 sinais típicos que as pessoas com depressão escondida fazem.




1. Elas podem ser extrovertidas e alegres

Pesquisadores da Universidade de Rochester descobriram que a depressão era mais difícil de detectar quando as pessoas tinham uma disposição alegre, especialmente quando eram idosos. A equipe de investigação acreditava que os introvertidos tinham mais dificuldade para sair de uma depressão, mas parece que o oposto é verdadeiro. Não devemos tomar como certo que uma pessoa alegre e sociável é imune à depressão. Devemos ficar com os olhos atentos para alguns sinais indicativos e, acima de tudo, precisamos ser ouvintes empáticos.

2. Eles podem esconder a sua depressão

Há uma interessante pesquisa sobre a atitude que os europeus e australianos têm com relação à depressão. Há tanto estigma associado à depressão na Europa e Austrália, que muitos doentes estão determinados a não revelá-la. Eles podem ter vergonha ou simplesmente temem perder o emprego - refletido no número de dias de licença por causa de problemas de saúde mental. 

3. Eles podem precisam resolver alguns traumas do passado

Imagine a anfitriã perfeita: ela tem filhos maravilhosos, uma carreira gratificante e um casamento estável. Também pode ser que exista um episódio doloroso na vida dessa pessoa que nunca tenha sido devidamente curado. Os psicólogos têm um acrônimo para este tipo de pessoa: PHDP (Perfectly-Hidden-Depressed-Person). A aparência externa de confiança e felicidade está em nítido contraste com o que está acontecendo por dentro. O problema é muitas vezes ignorado, especialmente pelo sofredor, que pode acabar cometendo suicídio. A tragédia é que ninguém seja capaz de identificar os sinais, ou que o doente nunca tenha coragem de falar com alguém. Devemos sempre ouvir com atenção quando um amigo ou ente querido nos fala sobre sua exaustão e ansiedade.

4. Eles podem ter hábitos alimentares anormais

A maioria dos especialistas acreditam agora que pode haver uma forte ligação entre transtornos alimentares e depressão. Estas são duas doenças distintas; embora uma possa conduzir à outra, ou surgirem simultaneamente. Cada vez mais pessoas estão sofrendo de distúrbios alimentares. Podem haver várias causas, tais como pressões da mídia, autoimagem corporal, atividades físicas e depressão. Se você perceber que um ente querido está com alterações do apetite, tente falar com ela/e e incentive-o a procurar ajuda. A depressão escondida pode muito bem ser o gatilho.

5. Eles podem não querer se comprometer com a felicidade

Muitas vezes, as pessoas com depressão escondida exibem uma falta de entusiasmo por coisas que costumavam gostar de fazer. Se a pessoa afirmar que não está deprimida, que apenas não se importa mais, este pode ser um sinal de que algo está errado. Fazer com que a pessoa fale sobre seus problemas, geralmente é o primeiro passo em busca de tratamento.

6. Eles podem apresentar irritação e raiva




Costumamos associar a depressão com apatia, desespero, pensamentos melancólicos e choro. Mas há outros sintomas de depressão que muitas vezes passam despercebidas, como as explosões temporárias. A verdade é que explosões de raiva e irritabilidade frequentemente são manifestações de uma depressão. Muitos homens escolhem esta forma para expressar sua depressão.

7. Eles podem não dormir o suficiente

Se o seu cônjuge se queixa de não dormir o suficiente (ou mesmo dormir demais), isso pode ser um sinal de alerta. Estes problemas de sono podem ser apenas o sinal externo de uma causa mais profunda, como uma ansiedade, uma letargia ou uma depressão. Os problemas do sono e a depressão estão, muitas vezes, intimamente ligados. Vale a pena sondar para descobrir o que pode ser a causa, se a pessoa estiver disposta a se abrir.

Muitos casos de depressão não são detectados e tratados, muitas vezes com resultados trágicos. Entre 10% a 15% das pessoas com depressão grave não tratada cometem suicídio. Como vimos acima, as pessoas podem esconder ou fingir. Às vezes, apenas aguardam para elas, como um segredo obscuro. O desafio é ficar atento a possíveis sinais e ajudar a pessoa a procurar ajuda.

Fonte: LifeHack traduzido e adaptado por Psiconlinews

terça-feira, 24 de março de 2015

5 Sinais de Uma Depressão Que Você Não Deve Ignorar


Por K. Aleisha Fetters

Seu chefe o consome. Um carro passa sobre uma poça d'água e espirra água suja em cima de você. Você está num dia ruim, mas é apenas um dia. A depressão, que afeta um em cada 10 norte-americanos, não vai embora de um dia para outro. Seus sintomas geralmente persistem por duas semanas ou mais e, normalmente, não desaparecem sem tratamento. Infelizmente, a maioria das pessoas não se dão conta de que os sintomas da depressão não se resumem ao "sentimento de tristeza". Além do mais, cada pessoa experimenta a depressão de forma diferente, e alguns podem apresentar mais sintomas do que os outros. Isso significa que em muitos casos a depressão passa despercebida, fazendo com que estas pessoas sofram em silêncio. Aprenda a reconhecer os sintomas mais comuns da depressão - em si mesmo, amigos ou membros da família - e como obter ajuda.




1. Auto-Crítica "Todos nós temos um crítico interno. Para as pessoas que estão deprimidas, essa voz interior crítica pode ter uma influência poderosa e destrutiva sobre o seu estado de espírito. Ela pode se alimentar por semanas de apenas um comentário distorcido", diz Jaime W. Vinick, chefe da clínica psiquiátrica Sierra Tucson. Além do mais, a auto-crítica também pode prever a depressão. Em um estudo com 107 adultos, aqueles que eram mais auto-críticos, também foram mais propensos a desenvolver uma depressão quatro anos depois. Preste atenção em como muitas vezes você, ou alguém, usa a palavra "deveria", diz Moe Gelbart, psicólogo do centro médico Torrance Memorial, na Califórnia. Referencias frequentes ao seu comportamento dizendo que "deveria" ter feito outra coisa é um sinal comum de auto-julgamento. 

2. Perda de interesse Perder o interesse em reuniões de três horas e prazos de trabalho é uma coisa, mas uma pessoa com depressão pode perder o interesse por coisas que normalmente desfrutava, como filmes, esportes e tempo com amigos, diz o psicólogo Moe Gelbart. "A perda de interesse em atividades prazerosas é um componente comum da depressão, e é conhecida como anedonia". Esta perda de interesse pode ser devida a mudanças nos níveis cerebrais de hormônios e neurotransmissores, de acordo com o psiquiatra Robert London. Infelizmente, a perda de interesse pode exacerbar sentimentos de isolamento, aumentando a depressão, diz Gelbart. É um ciclo vicioso auto-destrutivo que pode ser difícil para a pessoa que sofre de depressão quebrar.

3. Alteração Significativa de Peso Quando deprimidas, muitas pessoas perdem o interesse em comer porque já não desfrutam mais da comida. Por outro lado, elas podem comer mais numa tentativa consciente, ou inconsciente, de melhorar o seu estado de espírito. Na verdade, de acordo com um estudo de 2003, do American Journal of Clinical Nutrition, comer alimentos ricos em hidratos de carbono pode promover a síntese da serotonina e causar um leve bem-estar passageiro. Além do mais, a inatividade induzida pela depressão também pode contribuir para o ganho de peso. Se alguém experimentar uma mudança no peso corporal de mais de cinco por cento em um mês, a atenção é necessária, diz Robert London.

4. Dores e Medos Inexplicáveis Muitas vezes, quando indivíduos deprimidos procuram atendimento médico, a queixa não é a depressão em si. São dores, tais como problemas de estômago, dores nas articulações ou nas costas, diz Jaime W. Vinick. A depressão pode afetar a forma como a dor é percebida no cérebro. "Os sinais de dor corporal, que normalmente são embotados ou desviados, na depressão são ampliados", diz o psicólogo Nick Forand. "As pessoas com depressão também tendem a desenvolver uma atenção negativa auto-centrada, de modo que elas podem ser mais propensas a perceber sensações de dor e se concentrar nelas, o que pode piorar a percepção da dor", conclui.

5. Raiva e Irritabilidade Pessoas deprimidas muitas vezes se sentem agitadas, inquietas ou até mesmo violentas, explica o psiquiatra Robert London. Mas a raiva não é apenas um sintoma de depressão, é também um possível contribuinte para a depressão. De acordo com o psiquiatra, quando a raiva é contida e deixada sem solução, pode levar a pessoa a ter comportamentos auto-destrutivos e contribuir com os sentimentos da depressão. London recomenda que qualquer um que experimente sentimentos de agressão e hostilidade discuta os seus conflitos e trabalhe para resolver a situação. Conversar com um psicoterapeuta será muito útil para encontrar formas construtivas de lidar com sentimentos de raiva ou ressentimento mal-resolvidos.

Fonte: Livestrong traduzido e adaptado por Psiconlinews

terça-feira, 10 de março de 2015

10 fatores do seu estilo de vida que fazem você se sentir deprimido



Muitos de meus clientes me procuram dizendo que há "algo errado" com eles. Eles acreditam que são fundamentalmente falhos, ou que estão na sua última tentativa de darem certo na vida e, muitas vezes com planos de acabar com ela caso as coisas deem errado. No entanto, na maioria das vezes, a raiz da depressão não é um desequilíbrio bioquímico ou uma herança genética. Pelo contrário, é um resultado de um ou mais dos seguintes fatores:




1. Isolamento

Como comprova a maioria das pesquisas, a conexão social é uma das maneiras mais eficazes para prevenir e curar a depressão. No entanto, o problema é que os depressivos, muitas vezes, não são as pessoas mais divertidas para se ter como companhia, por uma condição própria do seu estado, o que os leva de volta ao isolamento. Junte-se a um grupo de apoio ou ligue para um velho amigo.

2. Tristeza

Você já passou por uma separação, perdeu um emprego ou experimentou a perda de um membro da família? Todas estas situações são cheias de tristeza. Se você experimentou uma grande mudança ou perda no ano passado (ou mais, caso você tenha suprimido sua tristeza), é possível que a sua depressão esteja ligada a isso. A tristeza abre caminho para a depressão, por isso, se você passou a se sentir desmotivado, para baixo, irritado, desinteressado pelas coisas que você habitualmente desfrutava, incapaz de se concentrar e enfrentando distúrbios do sono e dieta; isso provavelmente está relacionado à sua adaptação à transição ou perda.

3. Privação de sono

Já reparou o quanto você fica mais frágil e letárgico depois de um sono ruim? A exaustão afeta o nosso estado de espírito, nossos níveis de energia e nosso funcionamento cognitivo. O problema é que a depressão também pode causar distúrbios do sono, fazendo com que ocorra um ciclo vicioso. Fale com o seu terapeuta sobre como fazer uma higiene do sono adequada, usando estratégias cognitivo-comportamentais para combater a insônia; e, se você acreditar que tenha um distúrbio do sono, considere consultar um especialista do sono. Alguns distúrbios do sono estão correlacionados com a depressão.

4. Falta de um sentido

Do ponto de vista existencial, precisamos de um sentido em nossas vidas para sermos felizes. De acordo com Viktor Frankl, podemos encontrar esse significado através do trabalho, relacionamentos (românticos e outros), ajudando os outros, com empreendimentos criativos (por exemplo, a escrita, a música, a arte / design), e com a espiritualidade, para citar alguns. Se você estiver em uma carreira que você despreza, ou se sente "perdido" na vida, a depressão será uma forma de lhe dizer que a maneira como você está vivendo sua vida não se alinha com os seus valores e desejos. Leve-a como um sinal positivo de que a mudança precisa acontecer e considere como sua vida seria se você se sentisse realizado em algumas (ou todas) as áreas acima mencionadas.

5. Excesso de auto-crítica

Imagine o quão inútil você se sentiria se tivesse um amigo, companheiro ou pai verbalmente abusivo ao seu lado em todos os momentos. Bem, é assim que é para muitas pessoas altamente auto-críticas. Preste atenção à sua voz interna. Qual é o seu teor? Se você achar que está dizendo coisas para si mesmo que nunca diria a um amigo, é hora de fazer uma mudança. Vários estudos têm demostrado que a aprendizagem de auto-compaixão pode ser uma intervenção eficaz no tratamento da depressão. A psicoterapia pode ser um lugar maravilhoso para aprender este hábito saudável.

6. Má alimentação



Mais e mais pesquisas estão sendo feitas nesta área e sugerem que a deficiência de alguns nutrientes e alergias alimentares estão ligadas à depressão. Por exemplo, alguns estudos mostraram que as vitaminas B e D estão negativamente correlacionadas com humor deprimido, enquanto o glúten está correlacionado positivamente (em pessoas que sofrem de intolerância). Cada indivíduo é diferente, mas fazer um exame de sangue e consultar uma nutricionista pode ajudar.

7. Estresse

Estudos têm demostrado que o stress crônico pode conduzir à depressão. Um pouco de stress é saudável, mas quando passa o limite do suportável, pode ser o fator responsável por uma depressão. Se você não pode cortar algumas responsabilidades, considere avaliar de onde as expectativas que você se sente pressionado a atender estão vindo (de alguém ou de você mesmo?) e veja como pode tirar um pouco dessa pressão. Permita-se reduzir as expectativas por desempenho, cometa erros, saia e peça ajuda. Em outras palavras, pare de tratar a si mesmo como uma máquina e permita-se ser um ser humano.

8. Sempre trabalho e nenhuma diversão

Muitas pessoas têm a (falsa) impressão de que quando atingem a idade adulta, já não precisam ou merecem se divertir. Ou que só é permitido ter "diversão" depois que o trabalho esteja feito. Bem, dado o fato de que sempre haverá algo a mais para ser feito - uma outra conta para pagar, outro projeto para ser concluído, outra pilha de roupa para lavar - as chances são que você nunca encontre tempo para se divertir. Permita-se tirar algum tempo de sua programação diária para fazer algo que você goste. Poderia ser uma atividade ou um tempo na deitado no sofá assistindo TV, por exemplo.

9. Hormônios desequilibrados

Desequilíbrios ou deficiências nos níveis de estrógeno, progesterona e cortisol estão correlacionados com a depressão. Considere verificar estas áreas para garantir que a depressão que você está enfrentando não esteja relacionada com isso.

10. Não lidar com as emoções

Temos sentimentos primários e secundários. Sentimentos primários são os que sentimos no centro, por exemplo, tristeza ou raiva, ansiedade ou solidão. Sentimentos secundários são os que sentimos quando julgamos a nós mesmos por ter os sentimentos primários. Imagine que você esteja se sentindo deprimido e, em seguida, se critique por se sentir assim, dizendo para si mesmo que está apenas triste e precisa parar de se sentir deprimido. Agora você não está apenas se sentindo deprimido; você também está sentindo vergonha, pressão e frustração. Ao se permitir sentir os sentimentos que surgem (quaisquer que sejam) com compaixão e sem julgamento, você irá notar um peso enorme sendo tirado dos seus ombros.

Fonte: MindBodyGreen traduzido e adaptado por Psiconlinews

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Antidepressivos aliviam sintomas, mas não resolvem o problema e podem até piorar o quadro a longo prazo



Pesquisa mostra que os antidepressivos reduzem a capacidade do cérebro para produzir serotonina no uso prolongado.

Pelos últimos 25 anos as pessoas que sofrem de depressão têm sido tratadas com medicamentos antidepressivos como Zoloft, Prozac e Paxil - três dos inibidores seletivos da recaptação da serotonina mais vendidos do mundo, ou SSRIs. Mas as pessoas estão começando a questionar se essas drogas realmente são o tratamento mais adequado para a depressão, e se eles podem causar outros problemas.

Estas drogas foram concebidas para tratar um desequilíbrio químico no cérebro e, assim, aliviar os sintomas da depressão. Neste caso, é a falta de serotonina que os antidepressivos trabalham para corrigir.




Na verdade, existem tratamentos farmacêuticos para corrigir desequilíbrios químicos no cérebro para praticamente todas as formas de doença mental - da esquizofrenia até ADHD, e uma série de transtornos de ansiedade. Centenas de milhões de prescrições são escritos para medicamentos antipsicóticos, antidepressivos e ansiolíticos a cada ano somente nos Estados Unidos, produzindo milhares de milhões de dólares em receita para empresas farmacêuticas.

Mas se a premissa por trás dessas drogas for falho? E se as doenças mentais, como a depressão, não forem realmente causadas ​​por desequilíbrios químicos? E que milhões de pessoas as quais são prescritos esses medicamentos não obtêm qualquer benefício deles? E se essas drogas piorassem o quadro da doença mental no longo prazo?

O jornalista investigativo Robert Whitaker argumentou que medicamentos psiquiátricos são muito ineficazes para o tratamento de doenças mentais em seu livro: Anatomia de uma epidemia: Pílulas mágicas, drogas psiquiátricas e o aumento espantoso das Doenças Mentais na América.

Whitaker sustenta que a fundação da psiquiatria moderna - o modelo de desequilíbrio químico - não tem embasamento científico.

"Se você investigar a ciência por trás disso", disse Whitaker Michael Enright ao anfitrião da edição de domingo da CBC Radio "você vai descobrir que não é verdade, e que esta era uma hipótese que surgiu na década de 1960, de que a depressão era causada pelos baixos níveis de serotonina, e que foi investigado e descoberto que isso não era verdade ainda no início da década de 1980.´´

"E já em 1998, a Associação Americana de Psiquiatria disse em seu livro que não estavam descobrindo que as pessoas com depressão têm qualquer anormalidade em sua serotonina, mas por ser uma metáfora tão eficaz para induzir as pessoas a tomar as drogas, ela continuou a ser promovida. "

O livro de Whitaker sem dúvida causou polêmica após o seu lançamento, mas foi através dele que conquistou o prêmio Investigative Reporters and Editors Book Award em 2010. E desde a sua publicação um número crescente de pesquisadores psiquiátricos influentes vieram publicamente opinar sobre o ponto de vista de Whitaker.

Ronald Pies, um psiquiatra e ex-editor da The Psychiatric Times, refere-se à hipótese de desequilíbrio químico como uma "lenda urbana" que os psiquiatras bem informados nunca compraram.

Whitaker diz que quando o seu livro foi lançado, a controvérsia maior não foi em torno do desmascaramento da hipótese do desequilíbrio químico. Foi sobre a sua descoberta de que as pessoas que tomaram medicamentos psiquiátricos eram mais propensas a continuar apresentando os sintomas, cinco anos após o diagnóstico, do que aquelas que não tomaram as drogas.



Thomas Insel, diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA, também pesquisou sobre o uso de medicamentos antipsicóticos, utilizados no tratamento de doenças mentais como a esquizofrenia, e chegou a uma conclusão semelhante.

Segundo Whitaker, a pesquisa sugere que as pessoas que sofrem de depressão podem não ter níveis de serotonina baixa, assim como o uso de antidepressivos reduz a capacidade do cérebro de produzir serotonina por conta própria, levando a um agravamento dos sintomas quando o paciente parar de tomar os medicamentos.

"Uma das preocupações" disse Whitaker "é que se você tomar estes medicamentos por muito tempo, quando parar seu cérebro irá voltar ao normal? E esta é uma questão em aberto agora.

"O que está muito claro é que só a droga raramente leva à recuperação a longo prazo".

Fonte: CBC traduzido e adaptado por Psiconlinews

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Não podemos confundir depressão com tristeza



Depressão e tristeza são muitas vezes vistos como o mesmo fenômeno. Parte da confusão é que o sintoma mais reconhecível da depressão é a tristeza, de acordo com Stephanie Smith, um psicólogo clínico, em Erie, Colo. 

Muitas pessoas usam as palavras como sinônimos. É parte da nossa cultura popular- ´´Estou tão deprimido!´´ Para a maioria de nós, na verdade, significa: ´´Eu estou tão triste!´´- Talvez porque soe um pouco mais sofisticado- disse ela. 




A tristeza é uma emoção dolorosa. Às vezes, ela pode ser totalmente agonizante. Mas é "uma resposta normal a eventos difíceis da vida", disse Elaine Ducharme, Ph.D, uma psicóloga clínica de Glastonbury, Connecticut. 

Quando pensamos em depressão como o mesmo que tristeza, minimizamos a doença. Nós não percebemos os outros sintomas debilitantes da depressão. Esperamos que as pessoas superem isso rapidamente. Mas não é assim que acontece com quem tem depressão. (Para ser diagnosticado com depressão você deve sentir os sintomas por pelo menos duas semanas.) 

E quando isso não acontece, perdemos a paciência e ficamos sem compaixão. Nós culpamos a pessoa por estar tirando proveito da situação, por não se esforçar o bastante, por não estar motivado o suficiente. 

Quando confundimos tristeza com depressão, podemos pensar ou dizer coisas como: "A felicidade é uma escolha" ou "Mas está tudo em sua mente" ou "Bem, todo mundo fica deprimido às vezes" ou "Vá para fora e tome um ar fresco ... isso sempre me faz sentir melhor" ou "Você não gosta de se sentir assim? Então, mude.", ou qualquer outro desses chavões. 

A tristeza é, na verdade, uma pequena parte da depressão, disse Smith. Algumas pessoas que sofrem de depressão nem sequer experimentam tristeza, disse ela. Em vez disso, elas experimentam anedonia, a perda de interesse ou prazer em atividades que antes gostava. 

Para ser diagnosticado com depressão clínica, o indivíduo deve experimentar pelo menos cinco dos nove sintomas específicos, disse Ducharme. (Mais uma vez, durante por, pelo menos, duas semanas.) 

Os indivíduos podem se sentir inúteis, impotentes, sem valor ou culpados. Eles podem experimentar uma variedade de sintomas cognitivos, como pensamentos negativos ou distorcidos, dificuldade de concentração, esquecimento, distração, perda de memória e indecisão. 

Eles podem experimentar sintomas físicos, tais como fadiga extrema, dor de cabeça, dores de estômago e dores musculares. Eles podem dormir demais ou muito pouco. Seu apetite pode diminuir ou aumentar. Eles podem se sentir como se a sua energia tivesse sido solapada. 



Pessoas com depressão têm descrito a experiência como se uma nuvem negra estivesse os seguindo onde quer que vão. Algumas pessoas descrevem uma sensação de dormência ou vazio. Alguns estão totalmente esgotados, tanto que até sair da cama é difícil.

"As coisas ao seu redor podem aparecer cinza em vez de suas verdadeiras cores", disse Ducharme. Em vez de se sentirem alimentados e energizados por seus relacionamentos, profissionais ou da vida em geral, eles se sentem esgotados e têm dificuldades para desfrutar de qualquer coisa, disse ela. 

Os homens podem parecer irritados, agir de forma agressiva, e rapidamente perdem a calma, disse ela. Eles "podem tentar lidar com a vida com excesso de álcool, o que muitas vezes apenas alimenta

sua raiva." (Quando na verdade o que eles realmente estão tentando evitar são os seus sentimentos, disse ela.)

Mais uma vez, a tristeza e a depressão não são a mesma coisa. Um deles é uma resposta normal a tempos difíceis; o outro é uma psicopatologia grave, em que o sujeito se encontra inviabilizado com o seu futuro e não vislumbra alternativas dentro do seu campo de possibilidades.

Fonte: BBC