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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Como o seu cachorro sabe que pode confiar em você



Quando os vemos tentando pegar o próprio rabo, podem não parecer os animais mais inteligentes do mundo. Mas as aparências enganam: os cães são criaturas mais inteligentes do que pensávamos. Eles estão cientes de quem os rodeiam, outros cães e seres humanos. Um estudo recente, por exemplo, demonstrou que eles conseguem diferenciar entre um rosto feliz e irritado, e até mesmo demonstrar ciúmes. Agora, uma nova pesquisa apontou que eles podem reconhecer quando uma pessoa não é confiável. Depois de decidir que alguém não é de confiança, eles param de seguir suas instruções.




Em você eu não confio

Sabemos que os cães entendem o que significa quando alguém diz alguma coisa. Se o dono aponta o dedo para uma bola, um pedaço de pau ou comida, o cão será instigado a investigar o lugar a pessoa está apontando. Em um estudo conduzido por Akiko Takaoka da Universidade de Kyoto, no Japão, publicado no jornal Animal Cognition, os cientistas testaram 34 cães. Os cães participaram de três rodadas em que lhes apontavam coisas diferentes. Na primeira, eles apontaram onde a comida estava escondida em um recipiente. No segundo, eles apontaram para um recipiente vazio. E, em terceiro lugar, a mesma pessoa apontou para um recipiente com o alimento. Nesta última rodada, o cão não respondeu às instruções do investigador. Isto, diz Takaoka, mostra que os cães podem usar seus conhecimentos para avaliar se a pessoa pode ser considerada um guia confiável.

Efeitos da domesticação

Após três rounds, um novo investigador refez a primeira etapa. Desta vez, os cães seguiram as instruções desta nova pessoa com interesse. Takaoka disse que ficou surpreendido com a velocidade com que os cães "perdem a confiança em um ser humano". "Os cães têm uma inteligência social mais sofisticada do que pensávamos. Esta inteligência social evoluiu seletivamente durante a sua longa história de interação com seres humanos". O próximo passo, diz o pesquisador, será testar espécies estreitamente relacionadas, tais como lobos. Isto poderia revelar "os profundos efeitos da domesticação" na inteligência social dos cães.

Inteligência Canina




De acordo com John Bradshaw, professor da Universidade de Bristol, Reino Unido, que não estava envolvido no estudo, a pesquisa enfatiza o fato de que os cães preferem que as coisas sejam previsíveis.  Quando algo se torna irregular, procuram uma nova alternativa. E se não sabem de forma consistente o que vai acontecer, podem ficar estressados, tornarem-se agressivos ou medrosos, acrescenta o cientista. "Os cães cujos donos são inconsistentes geralmente têm problemas de comportamento". Além disso, é cada vez mais evidente que os cães são mais inteligentes do que se pensava, mas - diz Bradshaw - sua inteligência é muito diferente da nossa.
O próximo passo é descobrir como a domesticação influenciou a inteligência dos cães. "Os cães são sensíveis ao comportamento humano, mas têm menos preconceitos", diz ele. "Eles vivem no presente, não refletem sobre o passado de forma abstrata ou planejam o futuro". E quando eles se deparam com uma nova situação, acrescenta, reagem com o que está lá, "em vez de pensarem profundamente sobre o porquê". Segundo Brian Hare, co-fundador da Dognition, um serviço para os donos avaliarem a inteligência de seu animal de estimação, os cães não estão ouvindo sem pensar quando indicamos algo, como este estudo mostra. "Eles avaliam a informação que lhes damos baseados, em parte, sobre quão confiável é a pessoa em ajudá-los a atingir suas metas".

Fonte: BBC

sábado, 22 de novembro de 2014

O que se passa na cabeça de um cachorro?



O tema da afinidade mútua entre homem e cão tem sido o interesse de muitos cientistas. Um novo estudo lança luz sobre o cérebro dos cães.

Pesquisadores da Universidade de Emory, em Atlanta, realizou ensaios de ressonância magnética funcional, que lhes permitiu analisar os impulsos neurais de cães ao cheirar os humanos quando comparados com os gerados ao cheirar outro cão. O efeito foi surpreendente, como publicou a 'revista Emory', parece que os cães preferem o cheiro de um ser humano ao de qualquer outro odor. Outro fato curioso que este teste revelou foi como os seres humanos e cães percebem sons emocionalmente sobrecarregados. E isso, em grande parte explica por que os cães podem compreender nossas mudanças de humor.




Outra investigação feita por Atilla Andics em comportamentos caninos, sublinha os cães interagem mais com seus donos do que outros animais. Por exemplo, quando um cão está com medo se dirige para seu dono, enquanto gatos e cavalos fogem na direção oposta.

Finalmente, os cientistas do Massachusetts General Hospital, estudaram a relação entre cães e seres humanos, concluindo que sentimos o mesmo pelos nossos cães do que pelos nossos próprios filhos. O experimento consistiu na análise de um grupo de mulheres que visualizaram fotos de bebês e cachorros. E descobriu-se que o efeito da imagem dos cães nos fazem tão felizes como crianças.

Fonte: PsychologyToday traduzido e adaptado por Psiconlinews

sábado, 18 de outubro de 2014

Cães conseguem ler emoções nas vozes dos donos


Uma nova investigação pode explicar por que razão o cão é, afinal, o melhor amigo do homem. O cérebro dos cães responde à voz exatamente da mesma maneira que o dos humanos, o que lhes permite ler as emoções dos donos e perceber se estão felizes ou tristes, concluiu pela primeira vez um grupo de investigadores da Hungria.




Segundo o estudo desenvolvido por especialistas da Universidade Eotvos Loránd e do centro de investigação etnológico MTA-ELTE, ouvir uma voz leva à ativação, tanto nos humanos, como nos cães, da mesma área do cérebro, quer se trate de uma ordem dada ao animal (por exemplo, "senta") ou de sons emotivos como o choro ou uma gargalhada.

Em ambas as espécies, é ativada uma região próxima do lobo temporal, onde se observa uma reação mais intensa sempre que é ouvido um som considerado "feliz", revelou a investigação publicada na revista científica Current Biology.
Para chegar a estas conclusões, os cientistas treinaram 11 cães de forma a que estes permanecessem tranquilamente num aparelho de ressonância magnética, comparando as suas respostas a diversos sons humanos (gemidos de dor, risos, choro) e caninos com as de um grupo de voluntários humanos.
De acordo com a equipa, embora o estudo tenha mostrado algumas diferenças entre as espécies, os resultados vieram trazer uma nova possibilidade para explicar a relação especial existente entre o cão e o homem para além do facto de estes partilharem "um ambiente social semelhante".

Espécies partilham mecanismos cerebrais semelhantes

"As nossas descobertas sugerem que [os cães e os humanos] utilizam também mecanismos cerebrais semelhantes para processar informações sociais, o que pode apoiar o sucesso da comunicação vocal entre as duas espécies", explica Attila Andics, coordenador do estudo, em comunicado.
Os investigadores constataram que a região do cérebro dos cães associada à voz e ao som respondeu mais fortemente aos sons de outros cães, ao passo que os humanos responderam com maior intensidade aos sons dos seus pares.



Nos cães, 48% de todas as regiões sensíveis ao som produziram uma reação mais forte aos sons não vocais, ao passo que em humanos apenas 3% destas regiões sensíveis responderam com maior intensidade a sons que não correspondiam à voz.
Ainda assim, a equipa afirma que os resultados do estudo constituem o primeiro passo em direção a uma compreensão mais clara quanto à forma como os cães identificam e interpretam os sentimentos dos donos, nomeadamente através da sua voz.
"O método [da ressonância magnética] proporciona um meio totalmente novo de investigar os processos neurológicos nos cães", afirma Andics. "Finalmente estamos a começar a entender de que forma o nosso melhor amigo olha para nós e 'navega' no nosso ambiente social", conclui.