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sexta-feira, 13 de março de 2015

Estamos ´´Patologizando´´ os Sentimentos Femininos, Afirma Psiquiatra



Por: JULIE HOLLAND

Mulheres são temperamentais. Pelo design evolutivo, elas foram modeladas para serem sensíveis ao ambiente, empáticas para as necessidades de nossos filhos e intuitivas sobre as intenções dos seus parceiros. Isso foi fundamental para a nossa sobrevivência e a de nossos descendentes. Algumas pesquisas sugerem que as mulheres são frequentemente melhores em articular seus sentimentos do que os homens, porque o cérebro feminino desenvolveu mais as capacidades ligadas à linguagem e memória.




Estas são observações enraizadas na biologia e não se destinam a engendrar qualquer tipo de ideologia pró ou anti-feminista. Mas elas têm implicações sociais. A emotividade das mulheres é um sinal de saúde e não da doença; é uma fonte de energia. Mas estamos sob constante pressão para conter nossas vidas emocionais. Fomos ensinadas a pedir desculpas pelas nossas lágrimas, a suprimir a nossa raiva e medo sob o risco de sermos chamadas de histéricas.

A indústria farmacêutica joga com esse medo, tendo como alvo as mulheres em uma enxurrada de publicidade em talk shows e revistas. Nunca se viu tantas pessoas tomando medicamentos psiquiátricos e, pela minha experiência, elas estão se mantendo medicadas por muito mais tempo do que pretendiam. As vendas de antidepressivos e remédios ansiolíticos cresceram muito nas últimas duas décadas, mas recentemente foram ultrapassados por um antipsicótico, o Abilify, que é o Best Seller entre todas as drogas nos Estados Unidos (TODAS as drogas, e não apenas entre as psiquiátricas).

Como psiquiatra há 20 anos, devo lhe dizer que isso é loucura.

Pelo menos uma em cada quatro mulheres nos Estados Unidos leva consigo uma medicação psiquiátrica, em comparação com um em cada sete homens. As mulheres têm quase duas vezes mais chances de receber um diagnóstico de depressão ou transtorno de ansiedade do que os homens. Para muitas mulheres, estas drogas melhoram consideravelmente as suas vidas. Mas para outras elas não são necessárias. O aumento na prescrição de medicamentos psiquiátricos, muitas vezes por médicos de outras especialidades, está criando um novo conceito de normal, encorajando mais mulheres a procurar ajuda química. Se uma mulher precisa desses medicamentos, isso deve ser uma decisão médica, e não uma resposta à pressão do marido e do consumismo.

O novo conceito de ´´normal medicado´´, está em desacordo com a dinâmica biológica das mulheres; cérebro e corpo químico trabalham em conjunto. Para simplificar as coisas, pense na serotonina como o produto químico "Está tudo bem" no cérebro. Coloque muito deste produto e você não se importará com nada; por outro lado, com pouca quantidade, tudo parecerá um problema a ser corrigido.

Nos dias que antecedem a menstruação, quando a sensibilidade emocional fica ressaltada, as mulheres podem se sentir mais irritadas ou insatisfeitas. Eu digo às minhas pacientes que os pensamentos e sentimentos que surgem durante esta fase são genuínos e, talvez, seja o melhor período para re-avaliar o resto do mês, quando seus níveis de hormônios e neurotransmissores estiverem mais propensos a se acomodar às exigências das pessoas e necessidades.

Os antidepressivos mais comuns, os quais são também utilizados para tratar a ansiedade, são os inibidores seletivos da receptação da serotonina (SSRIs) que aumentam a transmissão da serotonina. SSRIs mantém as coisas "Está tudo bem". Mas, bom demais não é bom. Mais serotonina pode alongar o seu pavio curto e acabar com seus medos, mas também adormece você, física e emocionalmente. Estes medicamentos freqüentemente deixam as mulheres menos interessadas em sexo. SSRIs tendem mais a neutralizar os sentimentos negativos do que aumentar os positivos. Com um SSRI você provavelmente não vai sair pulando com um sorriso no rosto; ele só vai fazer você ficar mais racional e menos emocional. Algumas pessoas também relataram sentir menos de muitas outras características humanas: empatia, irritação, tristeza, sonhos eróticos, criatividade, raiva, expressão de sentimentos e preocupação.

Obviamente, há situações em que medicamentos psiquiátricos são necessários. O problema é que muitas pessoas realmente doentes permanecem sem tratamento, principalmente por causa de fatores socioeconômicos. Enquanto que pessoas que não precisam desses medicamentos tentam medicar uma reação normal a um conjunto de fatores de estresse não-natural: vivem com quantidades insuficientes de sono, luz do sol, nutrientes, movimento e contato social; fatores cruciais para nós, primatas sociais.

Se os níveis de serotonina das mulheres são constantemente e artificialmente elevados, elas correm o risco de perderem a sensibilidade emocional, com suas flutuações naturais, e modelam um equilíbrio hormonal mais masculino, estático. Esse embotamento emocional incentiva as mulheres a adotarem comportamentos que são normalmente aprovados por homens: parecer ser invulnerável, por exemplo, é uma postura que pode ajudar uma mulher a crescer em negócios dominados por homens. Estudos com primatas mostraram que uma dose de S.S.R.I. pode aumentar comportamentos de dominância social, elevando o status de um animal na hierarquia.



Mas a que custo? Eu tive uma paciente que chegou no meu consultório em lágrimas, dizendo que precisava aumentar sua dose de antidepressivo, porque ela não podia ser vista chorando no trabalho. Depois de dissecar o motivo dela estar chateada - seu chefe a traiu e humilhou na frente da sua equipe - decidimos que era necessário uma calma confrontação com o chefe, e cortamos a medicação.

Revisões de prontuários mostram consistentemente que os médicos são mais propensos a receitar medicações psiquiátricas às mulheres do que aos homens, especialmente para as mulheres entre 35 e 64 anos de idade. Para algumas mulheres nessa faixa etária os sintomas da perimenopausa podem parecer com os de uma depressão, inclusive as lágrimas são comuns . Chorar não é apenas um sintoma de tristeza. Quando estamos com medo, ou frustrados, quando vemos uma injustiça, quando somos profundamente tocados pela pungência da humanidade, nós choramos. E algumas mulheres choram mais facilmente do que outras. Isso não significa que sejam fracas ou fora de controle. Em doses mais elevadas, SSRIs dificultam o choro. Eles também podem promover a apatia e a indiferença.
A mudança surge do desconforto e da consciência de que algo está errado; nós reconhecemos o que é certo apenas quando sentimos isso. Se estar medicado significa ser complacente, então isso não ajuda ninguém.

Precisamos parar de rotular a nossa tristeza e ansiedade como sintomas desconfortáveis e passar a apreciá-los como uma parte saudável, adaptativa, da nossa biologia.

Fonte: NYtimes traduzido e adaptado por Psiconlinews

quarta-feira, 4 de março de 2015

12 Maneiras de Identificar um Misógino


Por Berit Brogaard.

Os misóginos. Você já deve ter ouvido falar deles. Mas o que você pode não ter percebido é que eles podem estar bem próximos de você. Eles são bem difíceis de detectar, não vêm com uma etiqueta presa e podem até parecer pró-mulheres.

Na maioria dos casos, misóginos nem sequer sabem que odeiam mulheres. A misoginia é tipicamente um ódio inconsciente que alguns homens formam no início da vida, muitas vezes como resultado de um trauma envolvendo uma figura feminina que confiavam. Uma mãe, irmã, professora ou namorada abusiva ou negligente pode plantar uma semente e dar início à formação de uma crença.




Uma vez plantada, esta semente vai germinar e crescer, a pequena raiz vai expandir seu caminho para as áreas de processamento do medo e da memória, afetando as emoções e a tomada de decisão racional.

Os primeiros sinais de misoginia são quase imperceptíveis, mas com a constante exposição à negligência, abuso ou falta de tratamento, esta semeadura comportamental vai crescer e se tornar cada vez mais proeminente. Mas mesmo quando a misoginia atinge a maturidade, e a tendência odiar mulheres já não pode mais ser controlada, o misógino e as mulheres à sua volta, muitas vezes, não conseguem perceber a condição até que seja tarde demais.

As seguintes características são típicas do misógino:


  1. Ele irá se concentrar em uma mulher e escolhe-la como seu alvo. Suas defesas naturais podem ser anuladas, porque, num primeiro momento, ele será gracioso, emocionante, divertido e carismático.
  2. Conforme o tempo passa, ele começa a revelar uma personalidade oculta. Ele pode mudar rapidamente de carismático para rude, ou vice-versa.
  3. Ele vai fazer promessas e, muitas vezes, não irá cumprir. Com os homens, por outro lado, ele quase sempre manterá sua palavra.
  4. Ele vai se atrasar para compromissos e datas especiais com mulheres, mas será muito pontual com os homens.
  5. Seu comportamento em relação às mulheres, em geral, é arrogante, controlador e auto-centrado.
  6. Ele é extremamente competitivo, especialmente com as mulheres. Se uma mulher faz algo melhor do que ele, socialmente ou profissionalmente, ele se sente terrível. Se um homem faz algo melhor, ele pode ter sentimentos mistos sobre isso, mas será capaz de olhar para a situação objetivamente.
  7. Ele não consegue tratar as mulheres de forma diferente dos homens em locais de trabalho e ambientes sociais, permitindo que os homens tomem liberdades para os quais ele não vai dar para mulheres.
  8. Ele está preparado (inconscientemente) para usar qualquer coisa em seu poder que possa fazer as mulheres se sentirem mal. Ele pode exigir sexo ou negar sexo em seus relacionamentos, fazer piadas sobre mulheres ou colocá-las para baixo em público, roubar suas idéias em contextos profissionais sem dar-lhes o crédito, ou pedir dinheiro emprestado para elas e não pagar de volta.
  9. Ele vai tratar as mulheres da maneira oposta de como elas gostam de ser tratadas. Se ela for uma senhora de estilo antigo, que prefere um "gentleman" que abre a porta para ela, pede para ambos e paga a refeição, ele irá tratá-la como um de seus amigos do sexo masculino: pede apenas para si mesmo e deixa para ela pagar por toda a refeição se ela se oferecer (e, por vezes, mesmo que ela não se ofereça). Se ela for um tipo mais independente, que prefere pedir sua própria refeição e pagar sua conta, ele grosseiramente vai pagar enquanto ela vai ao banheiro.
  10. Sexualmente, ele gosta de controlar as mulheres e dá pouca ou nenhuma atenção para o seu prazer sexual. Se ocorrer preliminares, será apenas um meio necessário para atingir um fim. Ele gosta de sexo oral, mas apenas como um destinatário. Suas posições favoritas são aquelas que evitam o contato visual com a mulher.
  11. Ele vai enganar a mulher com quem está namorando, ou em um relacionamento com ele. A monogamia é a última coisa que ele sente que deve a uma mulher.
  12. Ele pode desaparecer de repente, partir de um relacionamento sem acabar com ele, mas pode voltar alguns meses mais tarde com uma explicação planejada para conquistar a mulher de volta
É raro que um misógino possua cada uma dessas características, o que torna mais difícil de identificá-los. A sua capacidade de atrair as mulheres com seu charme e carisma aumenta ainda mais a dificuldade de detectar os sinais de alerta precocemente.

Os odiadores (inconscientes) de mulheres conseguem disfarçar ainda melhor os seus maus tratos. Toda vez que eles falam mal das mulheres ou ferem seus sentimentos, eles inconscientemente se sentem bem, porque no fundo do seu cérebro, seu mau comportamento é recompensado com uma dose de dopamina, a substância do prazer, que os faz querer repetir o comportamento de novo e de novo .

Fonte: PsychologyToday traduzido e adaptado por Psiconlinews