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sexta-feira, 10 de abril de 2015

'Síndrome do Imperador': Crianças mandonas e autoritárias



Você sabe o que é a 'Síndrome Imperador'?

As mudanças sócio-culturais das últimas décadas têm preparado o terreno para o surgimento de alguns comportamentos disfuncionais nas crianças. Um conjunto de atitudes e comportamentos que mais preocupam os pais é quando a criança se torna o mestre indiscutível da família, submetendo os outros membros da família às suas necessidades e caprichos.




Os ´´filhos imperadores´´ escolhem a comida que vai ser feita, onde a família vai passar as férias, o vai ser visto na televisão, a hora de ir dormir ou realizar outras atividades, e assim por diante. Para atingir os seus fins, gritam, ameaçam e agridem fisicamente e psicologicamente seus pais. Pode-se dizer que o seu nível de amadurecimento no campo da empatia (capacidade de se colocar no lugar da outra pessoa) é subdesenvolvido. Por esta razão, parecem ser incapazes de experimentar sentimentos como o amor, a culpa, o perdão e a compaixão.

Síndrome do Imperador: Entrando na mente da criança autoritária

Esse fenômeno tem sido chamado de "Síndrome do Imperador", uma vez que as crianças imperadoras estabelecem padrões de comportamento para satisfazer os seus caprichos e exigências acima da autoridade de seus pais ou responsáveis. Quem não cumprir as exigências da criança é vítima de birras ultrajantes e, até mesmo, agressão. A violência que os filhos exercem contra seus progenitores, aprendendo a controlá-los psicologicamente, resulta no êxito em fazê-los obedecer e realizar os seus desejos. Esta característica da personalidade destas crianças também foi apelidada de "filhos ditadores", devido ao seu domínio incontestável na família.

Características do filho imperador

Crianças Imperadores são facilmente distinguíveis: geralmente mostram traços de personalidade egocêntricas e têm pouca tolerância à frustração: não aceitam que suas exigências não sejam atendidas. Essas características não passam despercebidas na família, e muito menos na escola, onde as suas exigências podem ser menos satisfeitas. São crianças que não aprenderam a se controlar, nem regular os seus sentimentos e emoções. Elas têm a experiência necessária para saber quais são os pontos fracos de seus pais, a quem acabam manipulando com ameaças, ataques e argumentos inconstantes.

Causas Psicossociais da Síndrome do Imperador

Muitos psicólogos e psicopedagogos têm enfatizado que um dos fatores que podem levar a criança a adquirir padrões de comportamento da Síndrome do Imperador é a escassez de tempo para os pais educarem e estabelecer normas e limites para sua prole. Necessidades econômicas e um mercado de trabalho instável não oferecem aos tutores o tempo e espaço necessários para a criança, ocasionando um estilo educacional culpabilizante, e por isso ficam propensos a concordar e superproteger seus filhos.

Também se pode observar nessas crianças uma falta de hábitos afetivos familiares, negligenciando a necessidade de brincar e interagir com as crianças. Socialmente, um dos problemas que serve de base para o comportamento egocêntrico, é a atitude ultra-permissiva dos adultos com relação às crianças.

Diferenciando Autoridade de Autoritarismo

O estilo educativo predominante há décadas atrás se baseava no autoritarismo: Os pais gritavam, ditavam ordens e exerciam um controle punitivo sobre o comportamento das crianças. De certa forma, por medo de caírem nesse estilo de educação que muitos sofreram na própria carne, o estilo educativo atual deslocou-se para o extremo oposto: a ultra-permissividade.

Por isso, é importante lembrar que autoridade não é o mesmo que autoritarismo: os pais devem exercer um grau inteligente e controlado de autoridade, de maneira saudável e se adaptando às necessidades educacionais e evolutivas de cada criança.

A cultura do vale tudo: a ética do hedonismo e consumismo

Quando falamos de estilos de educação e ensino para os nossos filhos, devemos lembrar da influência determinante dos valores morais da sociedade como um todo, uma vez que esta forma de superestrutura ética compartilhada incentiva certos vícios e/ou virtudes na atitude da criança. A atual cultura consumista usa a bandeira do hedonismo como valor inalienável. Isso entra em conflito com qualquer tipo de imposição interna ou externa de responsabilidade sobre as próprias ações e com a cultura do esforço. Se esses valores não forem bem geridos e conduzidos, a criança aprende erroneamente que o seu direito de se divertir ou fazer o que quiser pode sobrepor o direito dos outros de ser respeitado, e perder a noção de que as recompensas exigem um esforço anterior.

Educação familiar e escolar

Os pais hesitantes, que exercem uma educação passiva e relaxada, não estabelecem limites de referência para a conduta dos filhos, permitindo a réplica, cedendo à chantagem e sendo vítimas até de agressões verbais e físicas.

O sistema de ensino também está saturado. Enquanto os pais perdem toda a sua autoridade, os professores estão na posição de estabelecer limites para crianças que foram educadas para desobedecer e desafiar em prol de suas demandas. Chega-se ao ponto em que o professor que tenta estabelecer normas, recebe reclamações de pais que não permitem que qualquer pessoa exerça autoridade sobre seus filhos. Isso reforça e fortalece as atitudes da criança imperador.

A criança imperador na adolescência

Na adolescência, as crianças imperadores consolidaram seus padrões comportamentais e morais, sendo incapazes de conceber que alguma autoridade externa possa impor limites. Em casos graves, podem chegar a agredir seus pais, sendo uma queixa cada vez mais frequente em delegacias de polícia. Na verdade, são as mães que mais sofrem, comparativamente, agressões e abusos por parte de seus filhos.

Cimentando a boa educação desde a infância

Os psicólogos e psicopedagogos concordam que é imprescindível definir uma base sólida na educação das crianças. Para educar futuros filhos, adolescentes e adultos saudáveis, livres e responsáveis, não devemos abrir mão da demarcação de limites claros, permitindo que a criança experimente algum grau de frustração para entender que o mundo não gira em torno do seu ego.

Fonte: Psicologiaymente traduzido e adaptado por Psiconlinews

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

O que acontece na infância, não fica na infância


Por: Carolina Vila Nova


Há tempos, sabemos da importância da infância para uma vida adulta feliz e saudável. Recentemente, li algo sobre o assunto, que citava o seguinte exemplo: se uma criança, que chora e pede para ser alimentada, é ignorada pela mãe no momento do choro, mas é atendida quando espera em silêncio, esta criança grava em seu subconsciente, que quando quer alguma coisa não deve pedir e nem chorar, mas esperar, pois alguém vai perceber sua necessidade apenas em seu silêncio. Achei o exemplo esplêndido, porque apesar de fazer muito sentido e parecer lógico, é algo tão cruel, que eu não havia pensado nisso. Esta criança se tornará um adulto que não luta pelo que quer, mas que espera silenciosamente. Percebi o quanto pequenas atitudes podem influenciar o comportamento de um individuo a sua vida inteira, sem que o mesmo nem se dê conta.




Certa vez, tive a seguinte experiência com vizinhos de apartamento: as paredes não eram maciças o bastante para abafar os sons mais altos. Todos os dias, a mãe das crianças parecia um anjo enquanto o marido estava em casa: falava baixinho e parecia a melhor mãe do mundo, além de esposa exemplar. Porém, assim que o marido saía de casa, a mulher começava a gritar freneticamente com as crianças. Por vezes, trancava-as no banheiro ou no quarto para limpar a casa. O caso era claro: o casamento não ia bem, a mulher estava sempre competindo com a ex-mulher do marido e tentava a todo custo manter a casa na mais perfeita ordem. Quando o homem chegava em casa, a mesma estava impecável e a mulher parecia ser tranquila.

Eu me pergunto: o que aquelas duas crianças vão levar para suas vidas adultas sobre essas experiências com sua mãe? Será que sempre verão no pai, o falso herói, que era capaz de transformar a mãe nervosa em uma pessoa calma e prestativa? Será que se darão conta algum dia, da oscilação terrível de humor a que eram submetidos diariamente, por conta da insegurança da mãe? De que forma esse tipo de experiência afeta a vida das pessoas quando já adultas? Será que todo estudo de psicologia e psicanálise nos permite mesmo olhar para trás e trabalhar o que nos foi feito quando ainda éramos tão vulneráveis e vazios de aprendizado?

Não conheço as respostas para essas questões, mas gosto das dúvidas que elas proporcionam. Conheço uma psicóloga que decidiu pausar sua vida profissional, quando se tornou mãe. Ela sabia da importância fundamental dos dias infantis de sua filha, para que a mesma pudesse se tornar uma adulta feliz e segura, sem traumas e com comportamentos oriundos de uma infância mal vivida. Certamente, muitas mães fariam o mesmo, se soubessem do grau tão elevado de importância da infância, na vida de um ser humano.



Quer um filho saudável, feliz e bem sucedido? Proteja sua infância. Viva seus dias com ele e para ele. O proteja de atitudes bobas como a da mãe que maltratava seus filhos, toda vez que o marido saía de casa.

Ser criança é ser um indivíduo vazio, pronto para aprender com seus pais, absorvendo tudo, sem possibilidade de filtrar o que é bom e o que é ruim. Se na maioria das vezes, nem mesmo os pais percebem o quão falhos são, quem dirá as crianças?

Não somos responsáveis por nossa infância e nem pelo que fizeram conosco. Sobre isso e para isso, utilizamos os recursos da psicologia. Mas somos sim, totalmente responsáveis pela infância de nossos filhos.

Que todo amor seja destinado aos nossos. E quando necessário, vale buscar ajuda profissional, já que o assunto é tão sério, delicado e difícil.

Porque o que acontece na infância, não fica na infância.

Mas fica… para a vida toda!

Fonte: CarolinaVilaNova



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

´´Meu pai é um mentiroso´´, um anúncio que vai comover você





Este comovente spot publicitário foi feito por uma seguradora com a intenção de lembrar sobre os esforços a que um pai é capaz de se submeter para dar o melhor a seus filhos.







terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Criando Adolescentes – Parte 02








Como prepará-los para os desafios da vida

 


Para muitos pais, criar e educar adolescentes não são tarefas fáceis, pois encontram inúmeras dificuldades quando o assunto é liberdade. Algumas pessoas sonham com o dia que irão chegar aos 15 anos, acreditando que conquistaram sua tão sonhada liberdade. Fator este que nem mesmo ele sabe definir o que é e como aproveitá-la. E essa é uma outra questão importante que fazem com que muitos adolescentes se rebelem e se revoltem com seus pais.
Adolescência é uma fase onde o mundo e a vida são vistos de uma forma muito diferente da que era antes, aqui o que se deseja é vivenciar várias emoções, vibrações e adrenalinas, porém nem sempre agem de forma ajuizada. Eles querem independência, privacidade e os privilégios de uma vida adulta, mas suas atitudes na maioria das vezes demonstram a falta de maturidade para arcarem com as consequências.
Os pais precisam entender que nessa fase seu filho irá passar por vários estágios que irão deixa-los confusos diante da vida. Sendo assim, é importante que se preparem para que tenham uma melhor convivência e interação entre ambos. Esses estágios são questionamentos que surgem e podem os deixar muito perturbados.
Os estágios são divididos em 03:
- no início da adolescência: “Sou normal?”
- no meio da adolescência: “Quem sou eu?”
- no fim da adolescência: “Qual é o meu lugar no mundo?”
Os pais são os principais agentes nessa missão, precisam estar unidos e de total acordo com a opinião do outro. É preciso mostrar ao filho que ele deve satisfações aos pais e que ainda necessitam de regras e limites para serem cumpridas. Cuidado para que o pai ou a mãe, separadamente, não forme aliança com o filho a ponto de tirar a autoridade do parceiro, desta forma nenhum dos dois terão controle nem respeito.
Grande parte dos pais consideram que educar filhos na adolescência irá exigir grandes e difíceis esforços, sendo assim cansativo e medonho. Mas no fundo o que os eles precisam é de amor, carinho, atenção, respeito e aceitação.
Tenha um momento para conversar com seu filho, escute o que ele tem a dizer mesmo que você não concorde, faça acordos com eles, mas cumpra o que você prometer, tente entrar e aproximar do mundo dele. Aqui não existem regras definidas e sim uma forma de se relacionar que vocês vão descobrir juntos.








Fernanda Cavalcanti – Psicoterapeuta em Montes Claros/MG
Atendimento Individual – Casal - Família
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domingo, 14 de dezembro de 2014

10 fatores de riscos que influenciam na convivência com o adolescente









Criando Adolescentes - Parte 01



Um dos grandes problemas de relacionamento entre os adolescentes e os adultos se encontra e prevalece quando os pais tentam impor autoridade, agindo com muita semelhança quando eram crianças.
No imaginário do adolescente ele é responsável pela sua vida e maduro suficiente a ponto de não precisar da ajuda de quase ninguém. São esses dois grandes fatores que dão início a uma série de problemas.
Considero que a 'conexão' seja um dos principais elementos para se educar e conviver com um adolescente. Eles precisam sentir que existem pessoas que entendem ou fazem ideia do que eles vivem; de seus sentimentos e emoções, sem tentar consertá-los. Desta forma, eles irão se sentir protegidos, valorizados e ouvidos.
Abaixo, listei 10 questões que influenciam consideravelmente o adolescente a não se conectar, interagir e confiar nos pais:

  1. Falta de diálogo verdadeiro com os pais ou responsáveis;
  2. Quando o ambiente familiar é conflituoso e violento;
  3. Pais ausentes, que não fazem nenhuma companhia aos filhos;
  4. Pais que não fazem nenhuma refeição com seus filhos;
  5. Falta de interação social; como os conflitos escolares, agressões físicas ou verbais;
  6. Falta de expectativas realistas dos pais em relação aos filhos;
  7. Não ser respeitado quando expõe suas opiniões;
  8. Não ter superado a perda muito significativa de alguém querido;
  9. Problemas de identidade sexual;
  10. Não ter alguém de confiança que não irá julgá-lo, para se abrir e conversar.


É interessante que os responsáveis estejam sempre atentos aos comportamentos dos adolescentes para perceberem o que eles estão querendo dizer, pois na falta da conexão e interação entre ambos, ele pode está gritando por atenção e ninguém ouve.
Fique atento ao seu filho!





Fernanda Cavalcanti – Psicoterapeuta em Montes Claros/MG
Atendimento Individual – Casal - Família



sábado, 5 de julho de 2014

Brigas dos pais afetam até a vida amorosa dos filhos no futuro






















Não entrar em discussões acirradas na frente dos filhos deveria ser regra para todos os pais, mas, na prática, nem sempre é assim. Na hora em que os ânimos se exaltam, é difícil moderar a raiva e as palavras. Mesmo que tudo volte às boas depois, essas ocasiões podem deixar marcas profundas nas crianças. "Os adultos deveriam pensar sempre duas vezes antes de agir, porque a criança sempre precisa ser preservada", afirma a psicóloga infantil Daniella Freixo de Faria, de São Paulo (SP).
De acordo com a psicóloga Susana Ório, também da capital paulista, para qualquer faixa etária sempre é muito sofrido presenciar as desavenças. "Quando os pais brigam, os filhos vivenciam um sentimento de ameaça. Os menores, de dois a quatro anos, não conseguem compreender o que está acontecendo. Por isso ao ver os pais discutindo, se sentem abandonados", conta. A criança não entende porque os pais estão brigando, principalmente quando os assuntos têm relação com finanças ou ciúme.
Segundo a psicóloga Miriam Barros, de São Paulo (SP), especialista em terapia familiar, nessa faixa etária, a criança é muito autorreferente e acredita que todas as coisas que acontecem na família têm a ver com ela. "No caso da briga dos pais, elas normalmente acham que são culpadas", diz. Como nessa idade os filhos ainda não têm repertório para expressar o que sentem nem capacidade de entender os problemas dos adultos, podem desenvolver sintomas físicos ou psíquicos para conseguir lidar com a tensão. O terror noturno, por exemplo, é bastante comum.
Entre cinco e oito anos, a criança já começa a entender e verbalizar o que está sentindo. É comum dizer aos amiguinhos que acha que os pais vão se separar, contar que estão brigando. "É uma fase em que a criança vai querer cuidar do pai e da mãe, pedir para que eles não briguem, pedir que se beijem... E também desejar ficar em casa para não deixar que os dois discutam", comenta Susana, que afirma que depois dos nove anos de idade há uma percepção maior dos conflitos.
Dependendo da frequência com que as discussões ocorrem, muitas crianças chegam a comentar na escola que seria melhor que os pais se separassem, pois não suportam mais tanto estresse. "Quanto maior a criança, mais ela costuma fazer suas próprias interpretações, defendendo um ou outro de acordo com a própria opinião", completa Luciana Barros de Almeida, presidente da ABPp (Associação Brasileira de Psicopedagogia).

Aprendizado negativo

Seja qual for a idade, porém, é fato que a criança que assiste constantemente aos embates familiares se torna mais tensa, triste, abatida e apática, o que acaba afetando, também, o rendimento escolar. A tensão familiar compromete sua visão sobre os relacionamentos amorosos entre os adultos. "Ela pode entender que a relação conjugal é algo ruim e assimilar isso para sua vida adulta", diz Luciana.
Muitas crianças chegam a falar que não querem se casar nem ter filhos quando crescerem, numa demonstração clara de que não pretendem passar de novo pelo sofrimento que vivenciam no dia a dia.

Segundo a psicóloga Suzy Camacho, autora do livro "Guia Prático dos Pais" (Ed. Green Forest), brigar na frente dos filhos funciona como uma espécie de curso prático sobre a convivência a dois. "Há o risco de as crianças reproduzirem, mais cedo ou mais tarde, no relacionamento com os amiguinhos ou na vida adulta, os gritos, o tipo de palavreado, os gestos, as ofensas... Poucas são as que fazem o caminho oposto e evitam repetir aquilo que presenciam os pais fazendo", declara.


As palavras que um diz ao outro podem moldar a imagem que a criança tem do pai ou da mãe. É preciso cuidado com xingamentos e termos que desqualificam. Quando o pai humilha a mãe, por exemplo, a mensagem transmitida é de que uma mulher não merece ser respeitada. E se a mãe tem mania de falar que o parceiro é folgado ou preguiçoso, a própria criança pode passar a usar essas palavras para se referir ao pai, já que as ouviu com frequência e as assimilou como verdade absoluta.

Situação sob controle

Os ânimos se exaltaram e as crianças ficaram nervosas? Respire fundo e tente acalmá-las, explicando que a discussão não tem nada a ver com elas –mesmo que o motivo seja alguma divergência no modo de educá-las. É imprescindível agir de modo que os filhos não se sintam culpados pelo ocorrido.
"E mais: peça desculpas. Fale que lamenta ter brigado com o papai ou com a mamãe e que sente arrependimento. Explique ainda que adultos às vezes perdem a paciência, porque se relacionar é difícil, mas que vocês se amam, vão resolver tudo juntos e que eles não precisam se preocupar", declara a psicóloga infantil Daniella Freixo. "Só não tente fazer de conta que não houve nada, pois isso é cinismo e confunde a criança. Ela aprende que não pode confiar nas próprias percepções", conta Suzy.
A forma mais sensata de poupar os filhos é mesmo conversar a sós, com tranquilidade e objetividade, e, de preferência, longe dos olhares e ouvidos das crianças. "Trancarem-se no quarto pode até ser uma forma de manter o controle para não discutirem na frente da criança. Porém, de nada adianta se os dois se exaltarem ao ponto de, do lado de fora, todos escutarem o que está sendo falado", diz Luciana de Almeida, da ABPp.
"Ficarem sem se falar para evitar atritos também não é bom, porque mantém um clima de tensão a maior parte do tempo gerando mais ansiedade", afirma Miriam Barros. Além disso, um período de silêncio muito longo sinaliza falta de maturidade para resolver os próprios conflitos.
Existe um jeito ideal de resolver as coisas se as crianças estiverem por perto? "Depende do assunto. Se for apropriado para as crianças ouvirem pai e mãe podem até tentar resolver, mas mantendo o respeito entre o casal. Mas a maior parte dos assuntos não deve ser discutida na frente das crianças", explica Miriam.

Ainda que o par esteja atravessando uma crise conjugal com possibilidade de resolução, os filhos devem ser poupados. Os pais devem responder – de uma forma compreensível, claro – se os filhos fizerem perguntas, mas não é necessário se antecipar e abrir uma intimidade que eles não são capazes de absorver.

"Toda relação passa por ajustes e momentos de crise. O importante é que o casal procure, desde o início, fazer um pacto de respeito para que não magoem um ao outro nem os filhos. Dá trabalho, claro, é algo a se fazer dia a dia, mas é necessário. A família só ganha com isso", diz Daniella.
Fonte: UOL

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