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terça-feira, 14 de abril de 2015

´´Blind Devotion´´: Um Curta-metragem de 8 minutos sobre o amor verdadeiro






Um homem segue sua esposa todas as manhãs sem que ela saiba. Parece estranho, mas não é por ele não confiar nela; seu motivo é mais profundo. Este é um curta-metragem incrivelmente comovente, criado pelo Projeto Jubileu. O longa tem oito minutos, mas confie em nós, você não vai querer parar de assistir. Pode parecer um pouco confuso no início, mas quando você entender, não vai acreditar no que está assistindo... (Se não souber inglês, selecione para a legenda para o português)

domingo, 1 de fevereiro de 2015

A SOMA DE TODOS OS SEUS MEDOS





Por Santiago Gomes

Imagine-se chegar à sua casa após um dia inteiro de trabalho duro e se deparar com seu parceiro, ou parceira, em uma banheira limpinha aguardando para que faça companhia. Pergunta: você entraria com toda a sujeira impregnada do dia ou se lavaria antes para, logo em seguida, acompanha-la (o), para um relaxante momento a dois?
Pois é… Penso que o natural seja se lavar antes para evitar que a sujeira da rua contamine a água limpa… Correto? Oquei… Imagine agora que a banheira trata-se do relacionamento que criou com o outro e, a sujeira a qual trouxe da rua, sejam os miasmas provenientes de relações passadas ou do conhecimento sobre relações de outrem… É onde quero chegar com o título desse texto.
Tenho observado que muitas pessoas não se dão conta do acúmulo das más experiências provindas do passado e, por consequência dessa desatenção, habituam-se a determinados comportamentos como um viés único o qual, naturalmente, poderão conduzir uma nova relação ao mesmo fim das anteriores.

Exemplo: um homem descobre que sua ex-namorada, sempre que chegava em casa fora do horário previsto, era porque estava com o amante, logo, se sua nova parceira chegar tarde, irá pressupor que esta também possuí um. Na psicologia behaviorista esses conceitos comportamentais são denominados “pareamento”, uma vez que o indivíduo pareia um estímulo neutro a uma consequência aversiva.
No que diz respeito ao “condicionamento operante” proveniente das teorias do psicólogo Burrhus Frederic Skinner, podemos encontrar bases teóricas consistentes que alicerçam a compreensão acerca desse tipo de reação a qual, dependendo do impacto da consequência para o sujeito, parece cristalizar em seu banco de memória fazendo com que os comportamentos pareçam instintivos, mesmo que a relação estímulo/resposta pareça ser neutra.
Por isso revela-se a importância em se conhecer o histórico da pessoa (história de vida), para poder de forma efetiva compreender o que levou a gerar determinados tipos de reações “espontâneas” as quais muitas vezes julgamos serem sem sentido. Naturalmente, a investigação acerca da origem (comportamento), pode nos guiar à compreensão da sua relevância no que se refere à proteção para o próprio sujeito ou mesmo, em outros casos, para a obtenção de prazer secundário.



É urgente que o individuo vivencie o pós relacionamento com integridade e resolva as pendencias para transformar experiências traumáticas em aprendizados, ou seja, tratar para que o passado não interfira de modo a corromper o presente.
Em seu livro “O poder do agora” de Eckhart Tolle, a elucidação do ser se dá no aqui e agora e, servindo-me de um pequeno trecho de um dos livros de Freud “Os neuróticos são pessoas ‘possuídas’ pela memória, memória que os obriga a viver vendo o mundo da forma como o viram num dia passado. A memória nos torna prisioneiros do passado, não nos deixa perceber a ‘eterna novidade do mundo’. Os neuróticos são prisioneiros de sua mesmice, por isso são confiáveis: serão hoje e amanhã o que foram ontem.”
Segundo a Psicanálise, por exemplo, é preciso esquecer o que se sabe a fim de ver o que não se via. A terapia bem sucedida, no meu ponto de vista, é aquela que leva o indivíduo a desaprender suas memórias e ver o mundo como nunca havia imaginado. Nesse sentido, e em muitos outros, a fenomenologia se harmoniza com essa realidade “imediata”, a qual busca compreender a maneira como cada pessoa dá significado aos aspectos de sua vida (hoje), para que possa, se for o caso, transformá-la.
Onde quero chegar com essa dissertação é ao lugar de importância que consiste em tomar verdadeira consciência para poder SER integralmente a soma dos aprendizados e não mais um reflexo dos traumas. Trabalhando e vivenciando esse cenário dia após dia, percebo a necessidade em recolher-se e “lavar-se” antes de entrar na banheira, ou seja, curar-se dos traumas oriundos das relações passadas para que sejam verdadeiramente superados.
Do contrário, podemos fazer das próximas relações, algo como: “apenas acrescento de zeros depois da vírgula”, ou seja, nada foi aprendido com o passado condenando-nos a uma sucessão de erros recorrentes os quais nos guiam ao inevitável desolamento e afastamento do outro.
Mantendo o foco no hoje e exponenciado pelas experiências, percebo o relacionamento como uma grande aventura a se viver onde os prazeres e desafios encontram-se numa simbiose afim, sem me importar com o tempo (normalmente as pessoas tendem a quererem eternizar o relacionamento… Mais uma causa da frustração), da compreensão de que, relacionar-se, significa estar aberto a aprender e ensinar o outro; onde a paixão e o prazer são apenas ardis para uma evolução maior.
Sentimentos e relacionamentos são duas coisas que interagem com distinção, ou seja, mesmo sentindo (o que quer que se sinta pelo outro), é urgente saber perceber quando um relacionamento (a soma de 1+1), encontra-se esgotada. Insistir em permanecer em um ambiente (relação), esgotado, é condenar-se à miséria emocional a qual perdurará até que se obtenha forças para mudar… A ironia é que, quanto mais ali permanecer, mais enfraquecido estará.