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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Relato de Isabelle: Vencendo o pânico


Relato de Isabelle

Olá, li um relato sobre síndrome do pânico no site e decidi dar meu depoimento também.
Em um dia como outro qualquer, seguindo a rotina como de costume, fui de carona com minha mãe ao terminal de ônibus, no carro ja me sentia um pouco estranha, um enjoo como se tivesse comido algo que não me fez bem, não dei muita importância e fui para a fila do ônibus, la os sintomas pioraram drasticamente, comecei a suar frio, o coração acelerou, enjoo e um mal estar absurdo, Corri até o banheiro e ainda achando que era algo que eu havia comido tentei por tudo pra fora, em vão. 




Liguei imediatamente pra minha mãe e ela me buscou, porém nos dois dias seguintes ao me arrumar e sair de casa os sintomas retornavam na mesma intensidade, falei com minha mãe e pedi que ela me levasse a um pronto socorro, na minha cabeça tinha a certeza que não poderia ser algo físico pois só passava mal quando saia de casa, apesar de não ficar totalmente bem em casa também.
Chegando na médica ela me disse que eu estava com uma ansiedade comum pois estava em época de provas na faculdade e isso era normal, contestei dizendo que eu já estava no segundo ano de faculdade e que pra mim fazer provas era algo corriqueiro, ao ver meu desconforto com seu diagnóstico ela sugeriu que eu procurasse um psicologo para controlar esta ansiedade.
Sai de la extremamente nervosa, contei tudo pra minha mãe e disse em tom de deboche que se fosse para eu contar meus problemas a alguém e esta pessoa só anotar em um caderninho e concordar eu falaria pra ela mesmo que pelo menos era de graça, quão enganada e preconceituosa era minha visão com os psicólogos naquela época.
Porém por insistência da minha mãe decidi procurar a psicologa, que após uma bateria de perguntas me diagnosticou com algo que mudaria minha vida para sempre, síndrome do pânico, E me pediu para que eu procurasse com urgência um psiquiatra para iniciar as medicações.
Daqueles dias em diante minha vida transformou-se num inferno, tive que trancar a faculdade e abrir mão da minha vida e sonhos em prol de uma doença que simplesmente não me permitia viver, crises que a cada dia me deixavam mais apavorada e com menos vontade de sair de casa, eu que sempre me arrumei vi minha vaidade aos poucos indo embora "se não consigo sair de casa vou me arrumar pra que?"
E foram dias e dias somente indo para a psicologa e no máximo pra psiquiatra, a psicologa me ajudou muito acredito que grande parte da minha cura devo a ela, com seus questionamentos conscientes que nos fazem pensar de uma forma menos critica sobre nós mesmos e sobre a vida em si, até que um dia me deparei no espelho com uma imagem que não reconheci, "aquilo" estava longe de ser o que eu realmente era.
Decidi tomar uma atitude, tentaria sair, nem que fosse um pouco, de casa, dava voltar dentro do condomínio com minha cachorrinha e aquilo pra mim era uma vitória gloriosa, uma alegria que não cabia dentro de mim, "eu consegui", e aos poucos fui aumentando as distâncias, mudando os lugares...
A cura vem chegando aos poucos, é como diz a música "com passos de formiga e sem vontade", mas ela vem.
Hoje em dia sou uma pessoa totalmente diferente do que era antes, meus medos bobos desapareceram, meus pré-julgamentos nem existem mais, aproveito muito as alegrias simples da vida.
Consegui me formar e realizar grande parte dos meus sonhos, minha fé triplicou e minha família se uniu muito mais.
Venho hoje deixar minha história aqui para que você que esta passando por isso não desista, acredite que tudo tem um propósito e por mais difícil que possa parecer enxerga-lo agora tenha certeza que você saberá qual é.
Deixo aqui meu imenso agradecimento a estes profissionais de saúde, que acredito serem pouco valorizados, psicólogos e psiquiatras meu eterno agradecimento e respeito por vocês.
Para quem quiser saber mais detalhes tenho um blog sobre o assunto:
  http://blogvencendoasindromedopanico.blogspot.com.br/
Descreva a sua experiência de superação ou sobre como está lidando com algum problema psicológico, doença, limitação, etc, e envie para nós para ser publicado aqui em nosso blog. Contar a sua experiência pode ajudar você a desabafar e receber apoio de outras pessoas que também estão passando pelo mesmo problema. Envie o seu relato para: psiconlinebrasil@hotmail.com

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Jovem com síndrome do pânico se mata para não ver estuprador no tribunal


Eleanor teve diversas crises de pânico após ter sido informada que teria que ver pessoalmente o seu agressor, frente a um tribunal


Uma jovem que disse ter sido vítima de estupro cometeu suicídio após ser levada a julgamento para provar o abuso sexual. O caso, que aconteceu em Londres, na Inglaterra, está sendo investigado. Isso porque o fato de a justiça ter duvidado da vítima pode ter sido determinante para que sua morte acontecesse. As informações são do Daily Mail.



Segundo a publicação, Eleanor de Freitas, 23 anos, tirou a própria vida em abril deste ano. Sua morte aconteceu três dias antes do julgamento onde ela teria que provar que havia sido vítima de estupro. O acusado - que não teve o nome revelado - afirmava que o sexo havia sido consensual.

Diagnosticada com transtorno bipolar e outros problemas psicológicos, Eleanor teve diversas crises de pânico após ter sido informada que teria que ver pessoalmente o seu agressor, frente a um tribunal.

A família de Eleanor defende que, se o julgamento não fosse necessário e se a denúncia da vítima e as investigações bastassem, Eleanor ainda estaria viva.

"Ela sofria com os transtornos psicológicos, sofreu o abuso e, depois de tudo isso, ainda seria obrigada a ver o estuprador e comprovar que era vítima? Minha filha não aguentou e foi embora para não ter que se defender mais", afirmou David Freitas, pai da jovem.

Um novo julgamento está agendado para esse mês, a fim de avaliar se haviam outras maneiras de concluir o caso e, ainda, se a justiça teve culpa na morte da jovem.

Fonte: www.terra.com.br

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Relato: ´´Convivo com a síndrome do pânico desde os 16 anos´´


A autora mantém um blog para falar sobre síndrome do pânico, Sempre no Presente, e convida os leitores a lhe escreverem para compartilhar experiências.
Convivo com a síndrome do pânico desde os 16 anos. Não o tempo todo, mas tempo demais.
"O Grito" (1893) de Edvard Munch
"O Grito" (1893) de Edvard Munch
Comecou no final do colegial. Estava vendo uma terapeuta e, de repente, me sentia triste e chorava. Foi piorando, piorando até que a minha terapeuta achou que não me ajudava mais e me mandou para um psicoterapeuta.




Durante uma das sessões, lembrei de uma coisa que havia enterrado há muito tempo: aos seis anoos de idade, meu tio tinha abusado sexualmente de mim. Logo depois do surgimento dessa memória, as crises de pânico começaram.
Por três vezes, fui obrigada a dar uma pausa na minha vida para me tratar. Durantes esses períodos, ficava extremamente debilitada. Sentia medo e dores no corpo todo. Não suportava o cheiro de qualquer comida. Só tomava água em pequenos goles. A comida tinha quer ser fria, sem gosto e em pequenas quantidades. Perdia muito peso em pouco tempo e não saía casa. Quando tinha sorte, dormia.
Mas nunca nos primeiros dias. Eram os piores. Começava como se uma luz se acendesse na minha cabeça. Como se tivesse me lembrado de alguma coisa. Parecia que era uma coisa muito importante. Mas não era. Logo em seguida, sentia uma descarga elétrica pelo corpo, vinda do topo da cabeça. E um formigamento. O estômago doía como se tivesse comido algo estragado. E eu ficava apavorada, aterrorizada. Sentia que ia vomitar e isso me deixava ainda pior. Parecia que ia sair do meu corpo. Parecia que o mundo não era mais sólido. Eu olhava para frente e o mundo acabaria em um abismo exatamente no ponto em que eu não pudesse mais enxergar o horizonte. Eu tinha certeza que iria morrer. Ou enlouquecer.
Da última vez em que fiquei assim, foram semanas até que fosse controlado.
"A Criança Doente" (1885) de Edvard Munch
"A Criança Doente" (1885) de Edvard Munch
Tomei tanto remédios que até perdi a conta. Conheço todas as famílias de anti-depressivos, ansiolíticos e anti-psicóticos. Não tenho nada contra remédios. A verdade é que me salvaram. Honestamente, eu acho teria acabado pulando da janela se não conseguisse ter o mínimo de paz. Precisava conseguir respirar. E foram os remédios que fizeram isso por mim quando eu não tinha forças para fazer sozinha.
Tomei por vários anos. Com muitas idas e vindas. Não é fácil encontrar a medicação e a dosagem certa. Os psiquiatras fazem o que podem. Escutam sua história, seus sintomas e tentam ajustar. Mas, depois de tanto tempo, percebi que é uma roleta. O médico nunca sabe exatamente como aquele organismo vai reagir. O que eu tomava não servia para uma amiga que passava pela mesma coisa.
Depois de um ano e uma troca de psiquiatra, um dia eu finalmente consegui me arrumar e ir a um restaurante. E comer. Foi um dos melhores dias da minha vida. Parece uma bobagem, mas eu não vivia como uma pessoa normal há muito tempo. Consegui respirar de novo. Eu nunca apreciei tanto a entrada e saída de ar dos meus pulmões.
Tudo ótimo. Eu estava recuperada. Tive pouquíssimas crises de pânico nessa época, mas mesmo assim não tinha medo. Até o momento que percebi que não tinha medo de nada. Parece ótimo. Não ter medo de nada. Mas para mim era muito estranho. Eu tinha me acostumado a viver com o um certo grau de medo e tinha desenvolvido procedimentos. Não comer demais, não beber, não fazer nada em excesso. Nem muita alegria nem muita tristeza.
Com os remédios, eu nem me lembrava dessas regrinhas. Eu comia de tudo, sem limite nenhum. Comecei a beber. Bebi demais. Foi divertido por um tempo. Mas, com o tempo, comecei a perceber que tinha ficado sem noção, sem controle. Não era capaz de segurar meus desejos. Não conseguia me concentrar. Ler era um sacrifício. Demorava o dobro do tempo para ler uma página. Descobri que estava ficando diabética.
"Cinzas" (1894) de Edvard Munch
"Cinzas" (1894) de Edvard Munch
Honestamente, não sei se foram os remédios propriamente ditos, ou se a liberdade que me davam é que me levou para esse lado. Nem os médicos sabem dizer com certeza. Mas foi quando eu pensei que deveria parar. Tinha que largar aquelas pílulas milagrosas.
No primeiro momento, não fiquei com medo. Quase todo mundo que toma esses remédios quer parar quando se sente bem. E é exatamente quando recaímos. Meu psiquiatra me disse claramente que as crises poderiam voltar dentro de seis a oito semanas. Mas eu estava convencida a parar. Era escolher entre a doença em si ou seus efeitos colaterais dela — que poderiam gerar outras doenças.
Comecei a ler e estudar tudo que havia disponível sobre meditação e curas alternativas. O pânico não mata ninguém de verdade, mas a sensação é que se vai morrer no próximo minuto. Então, para mim, era um big deal. Eu tinha que encontrar um jeito de parar com os remédios e lidar como pânico, caso voltasse. E foi isso que eu fiz.
Meditei e medito todos os dias. Leio sobre o pânico e sobre o que ele faz com o corpo. Tento entender profundamente que a dor é só isso: dor.
Não foi fácil. O pânico voltou no início do ano, mas eu estava determinada a não retomar os remédios. Comecei a fazer um tratamento alternativo para traumas. Esse tratamento me ajuda a entender meu corpo, observar quando o pânico começa, em que parte do corpo, para onde ele vai, como são essas dores. A meditação me ajuda a observar, a não reagir, a me acalmar.
Foram meses de dores, sem comer direito, sem poder nem sentir o cheiro da comida, sem sair de casa. Meses sem conseguir respirar de novo. Eu pensava em desistir, eu pensava, meu deus, porque estou me colocando nessa situação de merda? Eu dormia e era quando tinha paz. Acordava mais forte, com menos vontade de desistir. Mas tive dor de estômago e de barriga esse tempo todo. Era como se tivesse um punho pressionando tudo dentro de mim.
"Morte no Quarto" (1895) de Edvard Munch
"Morte no Quarto" (1895) de Edvard Munch
Há mais ou menos um mês, consegui ir a um restaurante. Não comi nada, mas fiquei num lugar público. Tenho feito isso desde então. Entrei em uns sete restaurantes até agora. Cada dia sinto uma coisa diferente, cada dia uma coisa me surpreende.
A cada dia sai uma das pedras que não deixava o rio correr.
Só percebo porque estou prestando muita atenção. E só consigo prestar atenção quando não fico pensando no que me aconteceu ou em tudo que pode dar errado amanhã. Não é fácil, não existe folga e é deliberado. Preciso conscientemente cuidar da minha mente todos os minutos nos quais estou acordada.
E como era a minha vida antes? Deixava minha cabeça solta por aí, não me preocupava com o que estava pensando ou deixando de pensar. Eu era escravizada pelos meus pensamentos.
Ainda acontece muito. Mas agora eu percebo que acontece. Ainda sinto dores, mas cada vez eu tenho menos medo, menos desespero.
Estou fazendo as pazes com meu corpo, com a minha mente. Tem que ser sempre e só pode ser agora. Momento a momento.
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