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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

A dieta pode ser tão importante para a saúde mental quanto é para a saúde física


Por: Carolyn Gregoire

Sabemos que a comida afeta o corpo - mas poderia também impactar sobre o funcionamento da mente?

Enquanto o papel da dieta e nutrição na nossa saúde física seja inegável, a influência de fatores da dieta sobre a saúde mental tem sido menos considerada. Isso pode estar começando a mudar.

Pela primeira vez a FDA anunciou na semana passada suas novas orientações, considerando o possível papel da dieta na saúde mental. O relatório da FDA observa, por exemplo, que a American Psychiatric Association classifica o ácido graxo omega-3 (que é mais comumente encontrado em peixes oleosos) como um tratamento complementar para a depressão. No entanto, o painel consultivo concluiu, por enquanto, que a pesquisa foi muito limitada para fazer sugestões de tratamentos.




Alguns psiquiatras também lançaram um grito de guerra para uma abordagem mais integrativa na saúde mental - que leve a dieta e outros fatores de estilo de vida em consideração no diagnóstico, tratamento e prevenção da doença mental. Em um artigo publicado recentemente na revista The Lancet Psychiatry, um grupo internacional de cientistas (todos membros da Sociedade Internacional Nutritional Psychiatry Research) argumentam que a dieta é "tão importante para a psiquiatria como é a cardiologia, a endocrinologia e a gastroenterologia".

Com mais de 450 milhões de pessoas no mundo sofrendo de algum tipo de transtorno mental e uma abordagem farmacológica que alcançou um sucesso limitado no tratamento das doenças mentais, o campo da psiquiatria pode ter alcançado uma espécie de ponto de inflexão.

"Estamos enfrentando essa enorme epidemia de distúrbios de saúde mental", afirma um dos autores do estudo, Dr. Drew Ramsey, um psiquiatra integrativo da Universidade de Columbia. "A depressão é a principal causa de incapacidade no mundo e em breve será a principal causa de incapacidade nos Estados Unidos. Então, é muito bom quando vemos dados que sugerem que podemos tratar a depressão com foco na nutrição e naquilo que comemos ".

Ramsey cita uma série de estudos que atestam o papel vital de certos nutrientes na saúde do cérebro, incluindo o ômega-3, vitamina D, vitaminas do complexo B, zinco, ferro e magnésio. A dieta moderna, muito rica em calorias, tende a sofrer carência destes nutrientes importantes, o que pode contribuir para o aumento dos problemas de saúde mental. Muitos estudos ligaram a depressão com baixos níveis de vitaminas B, por exemplo, enquanto que baixos níveis de vitamina D materno revelaram ter um papel no risco da criança desenvolver esquizofrenia.



A pesquisa tem sido crescente nos últimos anos e expandiu-se a partir de um foco em nutrientes individuais para padrões alimentares mais amplos. Em 2011, um grande estudo verificou que a dieta ocidental moderna (que é rica em alimentos processados ​​de alto teor calórico e pobre em nutrientes) está relacionada ao aumento da depressão e ansiedade, em comparação com uma dieta tradicional norueguesa. Uma revisão de estudos em 2014, também ligou padrões alimentares pouco saudáveis ​​com prejuízos na saúde mental em crianças e adolescentes.

"Por um longo tempo na psiquiatria, nós sabemos que algumas vitaminas podem ter um grande impacto na saúde mental - vitamina B12, ferro, magnésio - mas somente nos últimos 10 anos que os estudos começaram a focar mais nos padrões alimentares, e têm sido bastante reveladores", disse Ramsey.

As crescentes evidências da conexão cérebro-intestino suportam a hipótese de que, quando se trata de saúde mental, as questões alimentares também são importantes. A ideia de que pode haver uma ligação significativa entre a saúde do intestino e a saúde do cérebro - e que as bactérias do intestino desequilibram uma série de condições neurológicas; incluindo a ansiedade, a depressão, o autismo, TDAH e esquizofrenia - ganhou força na comunidade científica. Um simpósio de neurociência em 2014 chamou a investigação de micróbios do intestino como uma "mudança de paradigma" na ciência do cérebro.

"A ideia de que a saúde do cérebro depende da saúde do intestino ... esta certamente será a próxima onda", observou Ramsey.

No entanto, até o momento, a linha tradicional do tratamento dos problemas de saúde mental têm sido intervenções farmacêuticas e comportamentais (psicoterapia). Dieta e exercício raramente são levados em consideração, exceto pelos praticantes "alternativos". Trazer a dieta para a equação representaria uma grande mudança no campo da saúde mental, a abertura de novas modalidades de tratamento de baixo custo e intervenções de baixos efeitos colaterais.

"Os alimentos devem ser a primeira linha de defesa, porque é um tratamento fundamental", disse Ramsey. "Nós realmente precisamos afastar a ideia de que dieta e exercício são apenas ´´complementares" ou "alternativos". 

Claro, é importante lembrar que as causas dos problemas de saúde mental são complexas e podem se estender por fatores psicológicos, biológicos, emocionais, ambientais e alimentares. Mas melhorar a sua dieta com nutrientes saudáveis para o cérebro só vai ajudar a saúde mental e neurológica.

Fonte: Huffingtonpost traduzido e adaptado por Psiconlinews

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

6 maneiras práticas de se tornar mais saudável psicologicamente


O estresse e o desgaste da vida cotidiana nos levam para baixo, mas há pequenas coisas que podemos fazer para melhorar o nosso bem-estar. Aqui estão algumas práticas sustentadas em pesquisas que podem nos ajudar a se sentir melhores e menos estressados:



  • Expresse Gratidão. 

Pesquisas em psicologia positiva têm revelado os benefícios de expressar gratidão - apreciar o que temos, ou agradecer a alguém por algo positivo que ela fez por nós. A gratidão não apenas nos faz sentir melhores e mais otimistas, mas também aumenta a empatia, e faz a outra pessoa se sentir melhor também.

  • Sorria e seja feliz. 

O riso pode não ser o melhor remédio, mas certamente pode nos fazer sentir melhores. O riso pode aumentar a nossa energia, e dificilmente você se sentirá estressado quando estiver sorrindo. Até mesmo o sorriso forçado pode ter efeito. A investigação sobre o efeito do feedback facial descobriu que quando os participantes forçaram o sorriso (segurando um lápis entre os dentes), seus sentimentos de felicidade aumentaram. Além disso, o riso é contagioso e pode aliviar uma situação tensa, ou fazer outra pessoa se sentir melhor.



  • Faça uma pausa. 

Fazer uma pausa da rotina diária como um refúgio de fim de semana, uma partida de golfe, um bom treino, uma saída no shopping, etc - pode fornecer um bom alívio do estresse. O elemento crítico, no entanto, é realmente "fazer uma pausa", e não sentar e ruminar sobre o que você não está fazendo. Recompensar-se com uma ruptura é uma maneira rápida de obter algum alívio.

  • Seja um otimista. 

Relacionado a gratidão, este é, na verdade, como fazer um inventário das coisas boas que aconteceram na sua vida. Concentrando-se muito sobre os aspectos negativos, você acaba sendo arrastado ao pessimismo e, em casos extremos, pode levar você ao desespero e ao sentimento de impotência. Focar os aspectos positivos - bons amigos, bons tempos, seus talentos e pontos fortes - fazem você se sentir melhor consigo mesmo.

  •   Visite alguém que precise de você. 


Ser um apoio para os amigos ou entes queridos em tempos de doença ou problemas não só os faz sentir melhores, mas pode melhorar o seu bem-estar, tanto através da camaradagem compartilhada quanto por saber que você está os ajudando a passar por um momento difícil.

  • Passe mais tempo com um ente querido. 

Nada é mais gratificante do que passar um tempo com alguém que você ama. Quer se trate de um jantar romântico, um passeio com uma criança, relembrar com os pais, ou uma atividade agradável com um irmão ou melhor amigo. Essas interações intensas nos levam às memórias positivas, que nos servirão de apoio em tempos difíceis no futuro.






terça-feira, 21 de outubro de 2014

Consequências psicológicas da quarentena por Ebola







Na segunda-feira, a família de Thomas Eric Duncan, o primeiro homem a ser diagnosticado com Ebola em solo americano, depois de 21 dias de quarentena finalmente foi capaz de sair de sua casa. Em todo os Estados Unidos, no entanto, outras pessoas que possam ter entrado em contato com o vírus ainda estão confinadas em suas casas: um escritor de romances, um missionário e uma equipe de reportagem de televisão. É o melhor para a saúde pública. Mas durante a quarentena, o que acontece com a saúde mental de uma pessoa? Qual é o impacto psicológico de ser um prisioneiro em sua própria casa, isolado e com medo, por três longas semanas?

Cerca de uma década atrás, no auge da epidemia de SARS, uma pesquisadora em Toronto acreditou que a valia a pena perguntar. Laura Hawryluck, professora de medicina intensiva na Universidade de Toronto, examinou 129 pessoas (em sua maioria profissionais de saúde) que haviam sido colocados em quarentena, por meio de testes psicométricos projetados para detectar sinais de depressão e TEPT. Hawryluck descobriu que cerca de 29 por cento dos entrevistados apresentaram sinais de PTSD e 31 por cento apresentavam sinais de depressão após o período de isolamento. Ela publicou suas descobertas em Doenças Infecciosas Emergentes em 2004 "Uma das coisas que sempre ouvia repetidamente - as pessoas nos disseram que parecia que eles estavam sendo vistos como a própria praga", disse Hawryluck. "E esse efeito psicológico sobre as pessoas foi muito angustiante.

"Em termos de PTSD, era muita ansiedade, muitos pesadelos", disse ela. "E em termos de depressão, era aquela sensação de estar completamente sozinho e isolado, com essa preocupação de ´´Será que alguém estará lá para mim se eu ficar doente?"

Estamos começando a ouvir relatos que definem como a quarentena causa sofrimento psicológico. Um homem do Arizona, que se colocou de quarentena (voluntariamente) depois de uma viagem missionária para a Libéria, já está recebendo ameaças de comentadores em um site de notícias local; eles estão sugerindo que a sua casa deve ser queimada, disse ao New York Times. Esse jornal também relatou a história da filha da namorada de Duncan, que falou ao repórter que as realidades da quarentena podem variar desde o mundano (crianças que não param de ofender) ao potencialmente inseguro (a geladeira quebrada cheia de comida podre). 

Axl Goode, um dançarino exótico e potencialmente exposto ao Ebola em um avião, escreveu isto no domingo:
Eu tenho 26 anos e posso estar morto em menos de duas semanas. Isso me assusta muito. Na verdade, minhas mãos estão tremendo enquanto escrevo isso. Porém estou me forçando, porque escrever é a maneira mais eficaz para aliviar a tensão. Não vou entrar em pânico. Eu sei que fiz o melhor que podia para proteger aqueles me são próximos e meu destino está fora de minhas mãos. Mas e quanto aqueles que me importo? O que isso vai fazer para a minha mãe, pai e irmãos?

Goode escreveu essa mensagem em sua página no GoFundMe, que ele criou quando percebeu que perderia mais de três semanas de trabalho, devido à quarentena. Preocupações financeiras como essa só se acumulam ao stress. De fato, no estudo de Hawryluck, ela encontrou uma associação especialmente forte entre baixa renda e maior sofrimento psíquico.

E embora Hawryluck não tenha formalmente acompanhado a continuação da vida das pessoas em seu estudo, ela suspeita que, para muitos deles, o pedágio mental do isolamento foi de longa duração. "Eu posso dizer-lhe informalmente que, muitos deles tiveram problemas emocionais duradouros", disse Hawryluck. "Eles tiveram problemas para voltar ao trabalho, e alguns deles nem conseguiram voltar."

Para ser bem claro, Hawryluck não está argumentando que as autoridades de saúde não devem usar a quarentena na luta contra as doenças infecciosas; em sua pesquisa, ela escreve que a principal razão da SARS ser "contida com sucesso em todo o mundo", foi por conta dessas medidas de quarentena. Mas ela também afirma que existem problemas na saúde psicológica dos envolvidos.

O que poderia ser melhorado? Por um lado, psicólogos ou assistentes sociais, poderiam ser disponibilizados, disse Harry Hull, um epidemiologista que já foi o oficial de inteligência epidêmica nos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA. "Estamos focados nas medidas de controle de infecção, o que é fundamental, mas não podemos nos esquecer que a saúde mental dessas pessoas também é importante, disse Hawryluck.. "Precisamos cuidar uns dos outros, e não apenas empurrar alguém para fora do rebanho ou para fora do grupo."