Sabemos que existem vários tipos de ciúme, entre irmãos, amigos, familiares...
Aqui falaremos um pouco do ciúme entre casais:
1) Que motivos costumam detonar uma crise de ciúme?
É importante entendermos que existem dois tipos de ciúme: o normal e o patológico.
Se for um ciúme normal, geralmente a crise é desencadeada por uma situação pontual em relação a uma pessoa, como alguém se insinuando, ver seu amado admirando uma mulher bonita, provoca uma sensação de ameaça e é numa situação específica. Situações de compromissos individuais como ir ao jogo com os amigos ou a uma festa do trabalho, podem gerar uma certa insegurança no parceiro, mas é uma crise transitória, passa em pouco tempo e principalmente é baseada em fatos reais.
Já se for um ciúme patológico, este acompanha a pessoa o tempo todo como uma ideia fixa. Faz com que a pessoa tenha pensamentos obsessivos de traição dia e noite, muitas vezes, sem que tenha uma pessoa específica da qual se sinta o ciúme. Qualquer fato pode desencadear a crise, um telefonema, um atraso ao chegar em casa, um fio de cabelo, um torpedo, um recadinho no facebook ou até a compra de uma roupa nova.
2) Quais são as atitudes mais comuns dos ciumentos?
Para quem tem o ciúme normal, a atitude geralmente é resposta ao medo de perder seu objeto de amor que pode resultar em uma briguinha, ficar de mal por um dia, até que a pessoa sinta-se segura novamente. Mas se for o caso do ciumento patológico é uma outra história. Os pensamentos e comportamentos paranóicos e obsessivos fazem com que a pessoa acredite, tenha “certeza” de que está sendo traído e faz de tudo para confirmar essa crença.
Segue, limita com quem a pessoa sai, o que veste, monitora os passos, vasculha bolsos, checam celular, e-mails, redes sociais, revira carteiras ou bolsas, controla os horários do companheiro (a) e se por algum motivo encontrar algo (que na cabeça dela (e) seja uma “prova dessa traição” é um motivo ou se em algum momento não conseguir localizar-lo, entra na crise.). Nessa crise, se descontrola, perde a razão, e sua reação pode variar desde uma agressão verbal até um belo escândalo, incluindo agressão física e fim do relacionamento (nem sempre o ciumento é quem leva o fora!). Em último grau, como já demonstrado, infelizmente até pela mídia, pode até acabar de forma trágica em homicídio e/ou suicídio.
3) Sentir ciúme é bom?
Se for um ciúme normal, faz parte do humano, crianças sentem ciume.
Em adultos no que se refere a relações afetivas é o medo de perder seu companheiro (a) e muitas vezes é visto como uma demonstração de amor.
É importante também avaliar se a pessoa é realmente ciumenta ou se não é o companheiro (a) que acaba estimulando este sentimento por através de comportamentos ou procedimentos que deixariam o outro sempre inseguro (a).
O ciúme patológico é extremamente nocivo para quem sente, porque existe um sofrimento imenso e que pode fazer com que a pessoa fique tão fixada na ideia de que está sendo traída que o faz se desligar de outras áreas de sua vida, trabalho, família, amigos e acaba claro, abalando o relacionamento tomo um todo.
É muito difícil para o companheiro (a) desta pessoa, suportar as frequentes desconfianças, questionamentos, controle de todos os passos e dependendo da gravidade deste ciúme patológico, com certeza levará ao fim do relacionamento.
A combinação de ciúme patológico, alcoolismo e/ou uso de drogas é muito comum e quem se relaciona com uma pessoa com estas características deve pensar duas vezes em continuar com esta relação, pois os riscos de violência são imensos.
4) Existe um limite saudável?
O ciúme saudável é o normal, aquele que aparece por uma causa específica, que vem e que passa. No entanto, aquele que acompanha a pessoa o dia todo, todos os dias e passa a atrapalhar na vida cotidiana – este, sim, precisa ser tratado.
5) Como saber se a gente está extrapolando?
Se passarmos muito do nosso tempo pensando no que o nosso companheiro está fazendo e imaginando, pensamos que ele pode estar nos traindo, este pode ser um sinal de alerta!
Se isso gera um sentimento imenso de desconforto, nos tira o sono, se vemos risco de perdê-lo a todo o momento e nos faz ter atitudes abusivas e descabidas, invasivas e controladoras, é hora de colocar a mão na consciência, perceber que há algo de errado e procurar ajuda!
6) Por que muitas pessoas não conseguem se controlar?
Pacientes com ciúme patológico relatam que as crises vêm como um impulso incontrolável, referem-se a estas situações como se ficassem cegas, dizem que o sangue sobe a cabeça e não conseguem ver mais nada.
Na realidade são como uma bomba, prestes a explodir.
São assoladas por uma enxurrada de emoções como rejeição, medo, raiva, ansiedade, humilhação e desejo de vingança. Daí brigam, acusam, xingam, choram, muitas vezes até se arrependem, mas quando caem em si o estrago já foi feito, o circo já pegou fogo, o barraco já caiu.
7) Esse comportamento pode ser considerado uma doença?
No caso do ciúme patológico sim.
Os desvios de personalidade podem ter sido originados a uma série de problemas psico emocionais, desde uma baixa autoestima, depressão, TOC (transtorno obsessivo compulsivo), stress, abuso de álcool, dependência química e chegando até a esquizofrenia.
Geralmente quando a crise passa, a pessoa tem o mínimo de ciência de que extrapolou nas ações. Entender isso é um sinal muito importante para que a pessoa possa aceitar que algo está errado com ela e não com o outro e que deve procurar ajuda de um psicólogo.
Só um profissional poderá fazer o diagnóstico correto e orientar qual o melhor tratamento.
8) Que estragos ele provoca no relacionamento e na vida da própria pessoa?
Os estragos podem ser imensos e na maioria das vezes irreparáveis.
Quando uma pessoa vive este ciúme patológico pode comprometer seu trabalho, seu estudo, sua vida social e principalmente sua relação afetiva.
Ela vive tão presa e obcecada por controlar o outro ou pensando como ele (a) possa estar lhe traindo, que acaba fazendo tudo de qualquer jeito ou nem fazendo.
E se formos falar do relacionamento em si, o dano é ainda maior.
Para o companheiro (a) viver sob a luz da desconfiança, do controle, das acusações, muitas vezes humilhações, agressões verbais e até físicas é extremamente doloroso e a sequencia destes episódios acabam por dilacerar a relação.
Dificilmente alguém consegue sustentar por muito tempo uma relação doentia destas, a não ser que tenha uma patologia complementar, seja um masoquista ou uma pessoa com a autoestima ainda menor que seu companheiro (a).
9) Dá deixar de ser ciumento? De que jeito?
O primeiro passo é ter consciência do problema, sou ciumenta (o) e o que faço?
Se você sabe que tem um ciúme exagerado aprenda com o passado, lembre-se de quantas vezes brigou e se arrependeu então pense antes de fazê-lo novamente. Quando começar a fantasiar, preste atenção e pare, tente focar em outras coisas mais pertinentes, principalmente em si mesmo, elevando a autoimagem, autoestima, enriquecendo seu mundo. Procure dialogar com o companheiro (a) e não brigar, poder falar de suas angustias e seus medos poderão ajudar muito e se estiver difícil controlar ou mudar, a psicoterapia é extremamente indicada e ajudando você se reorganizar, se entender, e administrar seus sentimentos e emoções.
10) Por que é importante ter liberdade?
O Dar liberdade e ter liberdade significa amar. Quem ama liberta, mas para isso é preciso ter confiança em si mesma.
Se você aprisiona, você desqualifica o outro como uma coisa, um objeto. Você o quer só para você e quer ser seu dono.
Se você ama e o qualifica como objeto de amor, se o respeita como tal, como alguém que pode somar algo a você, sabe que ele (a) está com você porque quer, porque gosta, por opção e escolha.
Uma relação com amarras não sobrevive e se sobrevive é uma relação doentia, triste, regida pelo medo e pela desconfiança. O ciumento patológico precisa entender que quanto mais ele prende e controla (com o intuito de manter a relação), mais perde o amor e o respeito do outro.
Como diria Raul Seixas:
“Amor só dura em liberdade,
O ciúme é só vaidade...”
-------------------------------------------